CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2008
Há indicação de panfotocoagulação retiniana em casos de oclusão de veia central da retina quando:
OVCR + Neovasos de segmento anterior (íris/ângulo) → Panfotocoagulação imediata.
Na oclusão de veia central da retina (OVCR), a panfotocoagulação é indicada quando surge neovascularização do segmento anterior para prevenir o glaucoma neovascular.
A OVCR isquêmica é definida classicamente pela presença de mais de 10 áreas de disco de não-perfusão capilar na angiofluoresceinografia. Essa condição gera uma hipóxia retiniana grave, levando à liberação massiva de VEGF (Fator de Crescimento Endotelial Vascular). O VEGF difunde-se para o segmento anterior, estimulando a formação de uma membrana fibrovascular na íris e no ângulo. Essa membrana obstrui mecanicamente o trabeculado, causando o temido 'glaucoma dos 100 dias'. A panfotocoagulação atua reduzindo a demanda metabólica da retina e a produção de VEGF, sendo o tratamento definitivo para estabilizar a neovascularização isquêmica.
A panfotocoagulação (PRP) torna-se mandatória na oclusão de veia central da retina (OVCR) isquêmica assim que houver evidência clínica de neovascularização do segmento anterior. Isso inclui a presença de vasos anômalos na íris (rubeosis iridis) ou no ângulo iridocorneano (detectado via gonioscopia). O objetivo é destruir a retina isquêmica que produz fatores angiogênicos, prevenindo assim a progressão para o glaucoma neovascular, uma condição grave e de difícil controle.
Baseado nos resultados do Central Vein Occlusion Study (CVOS), a panfotocoagulação profilática não é recomendada apenas com base na extensão da isquemia retiniana vista na angiografia. O estudo demonstrou que a PRP precoce não impede necessariamente o desenvolvimento de neovascularização e que o acompanhamento mensal rigoroso com gonioscopia, tratando apenas no surgimento dos vasos, oferece um desfecho similar com menor destruição de campo visual periférico.
Os agentes anti-VEGF (como ranibizumabe ou aflibercepte) são atualmente a primeira linha para o tratamento do edema macular secundário à OVCR, melhorando significativamente a acuidade visual. No contexto da neovascularização, eles podem ser usados para causar a regressão rápida de neovasos de íris, servindo como um adjunto valioso à panfotocoagulação, especialmente em olhos com meios opacos que dificultam a aplicação do laser imediato.
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