CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2013
Paciente que se apresenta com oclusão de veia central da retina e defeito pupilar aferente relativo em um dos olhos deve ser orientado:
OVCR + DPAR = Forma isquêmica → Alto risco de neovascularização e mau prognóstico visual.
A presença de defeito pupilar aferente relativo (DPAR) em um quadro de oclusão venosa indica isquemia retiniana grave, elevando o risco de cegueira e glaucoma.
A Oclusão de Veia Central da Retina (OVCR) é a segunda causa mais comum de perda visual vascular retiniana. Ela é classificada em isquêmica e não isquêmica. A forma isquêmica é definida por mais de 10 diâmetros de disco de não-perfusão capilar na angiografia. O DPAR é o preditor clínico mais sensível para isquemia. O prognóstico visual nesses casos é reservado, com a maioria dos pacientes evoluindo para acuidade visual pior que 20/200. O tratamento visa mitigar o edema macular e prevenir o glaucoma neovascular, que ocorre em cerca de 40-50% dos casos isquêmicos não tratados.
O Defeito Pupilar Aferente Relativo (DPAR), ou pupila de Marcus-Gunn, é um sinal clínico crucial que indica uma lesão assimétrica da via visual aferente (retina ou nervo óptico). No contexto da Oclusão de Veia Central da Retina (OVCR), a presença de DPAR sugere fortemente que a oclusão é do tipo isquêmico, em oposição ao tipo não isquêmico (edematoso). A isquemia ocorre quando há uma interrupção severa do fluxo sanguíneo, levando à morte celular e liberação de fatores angiogênicos como o VEGF. Clinicamente, isso se traduz em uma retina que não responde adequadamente ao estímulo luminoso, resultando na falha da constrição pupilar direta quando o olho afetado é iluminado.
A OVCR isquêmica é uma condição de alto risco para complicações neovasculares graves. A principal preocupação é o desenvolvimento de neovascularização de íris (rubeosis iridis) e do ângulo da câmara anterior, o que pode levar ao glaucoma neovascular, historicamente chamado de 'glaucoma de 100 dias' devido ao tempo médio de aparecimento após o evento oclusivo. Além disso, a isquemia macular persistente e o edema macular crônico contribuem para uma perda visual severa e muitas vezes irreversível. Pacientes com DPAR e áreas de não-perfusão capilar extensas na angiografia fluoresceínica exigem acompanhamento rigoroso e, frequentemente, tratamento com anti-VEGF ou panfotocoagulação a laser.
Embora a OVCR seja um evento trombótico, o uso de anticoagulantes sistêmicos (como varfarina ou novos anticoagulantes orais) ou trombolíticos não demonstrou benefício clínico em melhorar o desfecho visual ou reverter a oclusão na maioria dos estudos. Pelo contrário, a anticoagulação pode aumentar o risco de hemorragias retinianas e vítreas, complicando ainda mais o quadro. O manejo atual foca no controle de fatores de risco sistêmicos (hipertensão, diabetes, dislipidemia) e no tratamento das complicações oculares, como o edema macular e a neovascularização, utilizando injeções intravítreas de anti-VEGF ou corticoides, além de laserterapia quando indicado.
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