CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2016
Sobre a oclusão de ramo da veia central da retina, podemos afirmar que:
Oclusão de ramo venoso retiniano → Fortemente associada a HAS e Dislipidemia.
A ORVCR é a segunda doença vascular retiniana mais comum. Ocorre tipicamente em cruzamentos arteriovenosos onde a artéria esclerosada comprime a veia, compartilhando a mesma bainha adventícia, sendo a HAS o principal fator de risco.
A oclusão de ramo da veia central da retina (ORVCR) é uma patologia vascular ocular prevalente, especialmente em pacientes acima de 50-60 anos. Sua ocorrência serve frequentemente como um marcador de saúde cardiovascular sistêmica inadequada. A associação com a hipertensão arterial é tão forte que a ORVCR é considerada por muitos como uma manifestação ocular da doença hipertensiva. A investigação diagnóstica deve sempre incluir a aferição da pressão arterial, perfil lipídico e glicemia de jejum. Em pacientes jovens sem fatores de risco óbvios, deve-se investigar trombofilias e doenças inflamatórias. O manejo moderno foca na redução do edema macular e na prevenção de complicações isquêmicas, melhorando significativamente o prognóstico visual desses pacientes.
A hipertensão arterial crônica causa arteriosclerose, que torna as paredes arteriais mais rígidas e espessas. Nos pontos de cruzamento arteriovenoso na retina, a artéria e a veia compartilham uma bainha adventícia comum. A artéria rígida comprime a veia contra o parênquima retiniano, causando turbulência no fluxo sanguíneo, dano endotelial e eventual formação de trombo. Esse fenômeno é conhecido como compressão mecânica no cruzamento AV, sendo o mecanismo fisiopatológico central da ORVCR.
O paciente geralmente queixa-se de perda súbita e indolor de parte do campo visual ou visão borrada (se houver acometimento macular). Ao exame de fundo de olho, observam-se hemorragias em 'chama de vela', edema retiniano, exsudatos algodonosos e tortuosidade venosa limitados ao quadrante drenado pela veia ocluída. O quadrante superotemporal é o mais frequentemente afetado devido ao maior número de cruzamentos arteriovenosos nessa região. O diagnóstico é clínico, complementado por retinografia e OCT.
O tratamento visa manejar as complicações. O edema macular, principal causa de baixa visão, é tratado com injeções intravítreas de anti-VEGF (como Ranibizumabe ou Aflibercepte) ou corticoides. Se houver áreas extensas de isquemia retiniana (detectadas pela angiofluoresceínografia), a fotocoagulação a laser (panfotocoagulação setorial) é indicada para prevenir a neovascularização, que pode levar ao glaucoma neovascular ou hemorragia vítrea. O controle dos fatores de risco sistêmicos é vital para prevenir recorrências e eventos em outros órgãos.
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