CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2009
Com relação à realização dos procedimentos demonstrados nas fotos, entre as opções abaixo, quais as indicações mais apropriadas para os procedimentos 1 e 2?
Oclusão de pontos lacrimais → Indicada para Sjögren e olho seco grave pós-refrativa.
A oclusão dos pontos lacrimais (procedimentos 1 e 2) é uma estratégia para reter a lágrima na superfície ocular, indicada quando o tratamento clínico com lubrificantes é insuficiente.
A oclusão dos pontos lacrimais é um procedimento conservador e eficaz para o manejo do olho seco moderado a grave. Na Síndrome de Sjögren, onde há uma destruição autoimune das glândulas lacrimais, a preservação de cada gota de lágrima produzida é vital. O procedimento pode ser realizado mecanicamente com plugues ou de forma definitiva através da cauterização térmica ou laser do ponto lacrimal. Clinicamente, a decisão de ocluir os pontos deve seguir uma escada terapêutica, iniciando-se após a falha de lubrificantes tópicos, ciclosporina ou tacrolimus. A avaliação da patência das vias lacrimais e a exclusão de obstruções anatômicas são pré-requisitos. Em residentes e especialistas, o domínio das técnicas de inserção de plugues e o reconhecimento das complicações, como a migração do plugue ou a formação de granulomas, são competências essenciais na prática oftalmológica.
Existem dois tipos principais de plugues lacrimais: temporários e permanentes (ou de longa duração). Os plugues temporários são feitos de colágeno e dissolvem-se em poucos dias ou semanas; são usados principalmente como teste para avaliar se a oclusão causará epífora (lacrimejamento excessivo). Os plugues permanentes são geralmente feitos de silicone ou polímeros acrílicos, podendo ser removíveis ou intracanaliculares. A escolha depende da gravidade da deficiência lacrimal e da resposta do paciente ao teste inicial com plugues absorvíveis.
A cirurgia refrativa corneana, especialmente o LASIK, envolve a criação de um flap e a ablação do estroma com excimer laser, o que inevitavelmente secciona os nervos corneanos sensoriais. Essa denervação temporária interrompe o arco reflexo da produção lacrimal (alça aferente do nervo trigêmeo para a glândula lacrimal) e reduz a taxa de piscamento. O resultado é uma diminuição da produção de lágrima e instabilidade do filme lacrimal nos primeiros meses pós-operatórios, tornando a oclusão de pontos lacrimais uma opção terapêutica valiosa nesses casos.
A principal contraindicação é a presença de inflamação ocular não controlada, como blefarites graves ou conjuntivites alérgicas ativas, pois a oclusão impediria a drenagem de mediadores inflamatórios, exacerbando o dano à superfície ocular. Outras contraindicações incluem infecções ativas das vias lacrimais (dacriocistite ou canaliculite) e pacientes que já apresentam epífora. É fundamental realizar o teste de Schirmer e a coloração com rosa bengala ou lisamina verde para confirmar a deficiência aquosa antes do procedimento.
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