CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2024
Qual o diagnóstico mais provável com base nas imagens abaixo?
Palidez retiniana difusa + Mancha vermelho-cereja na mácula = Oclusão de Artéria Central da Retina (OACR).
A OACR é o equivalente ocular de um AVC isquêmico; a mácula mantém a cor vermelha porque sua vascularização depende da corio-capilar, contrastando com a retina periférica edemaciada e pálida.
A oclusão da artéria central da retina (OACR) manifesta-se como perda súbita, indolor e severa da visão. O quadro clínico é dramático e o diagnóstico é essencialmente clínico através da fundoscopia. A retina apresenta um aspecto leitoso devido ao edema isquêmico das fibras nervosas e células ganglionares. Além do manejo oftalmológico, o médico deve encarar a OACR como um evento sentinela para doenças ateroscleróticas graves. A taxa de AVC isquêmico subsequente em pacientes com OACR é significativamente elevada nas semanas seguintes ao evento ocular, tornando a propedêutica cardiovascular obrigatória.
Na oclusão da artéria central da retina, as camadas internas da retina sofrem isquemia aguda e tornam-se edemaciadas e opacas (esbranquiçadas/pálidas). No entanto, na região da fóvea, a retina é extremamente fina e não possui as camadas internas que sofrem esse edema. Assim, a cor avermelhada da coroide subjacente (vascularizada pela coriocapilar, que não depende da artéria central da retina) brilha através da fóvea, criando o contraste visual clássico conhecido como mancha vermelho-cereja.
A OACR é uma emergência médica. Se o paciente se apresentar dentro das primeiras horas (idealmente < 4-6h), tenta-se reduzir a pressão intraocular (PIO) para facilitar o deslocamento do êmbolo para ramos mais distais. Isso pode ser feito via massagem ocular digital, paracentese da câmara anterior ou uso de acetazolamida IV. Contudo, o mais importante é a investigação sistêmica imediata: Doppler de carótidas, ecocardiograma e avaliação de marcadores inflamatórios (VHS/PCR) para excluir arterite de células gigantes em pacientes idosos.
A artéria ciliorretiniana é uma variação anatômica presente em cerca de 15-30% da população. Ela deriva da circulação ciliar posterior (coroide) e não da artéria central da retina. Em casos de OACR, se o paciente possuir uma artéria ciliorretiniana que irriga a região macular, a visão central pode ser preservada, resultando em uma 'ilha' de retina funcional e corada em meio à palidez isquêmica generalizada. Isso explica por que alguns pacientes com oclusão total mantêm acuidade visual central surpreendentemente boa.
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