PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2024
Paciente do sexo masculino, 65 anos, com história clínica de hipertensão arterial sistêmica e fibrilação atrial em tratamento irregular. Foi admitido no PS do HUC com dor de forte intensidade em membro inferior esquerdo. Ao exame físico vascular: frialdade do membro desde coxa, perfusão lentificada, palidez, ausência de sensibilidade, motricidade parcial do pé e ITB = 0 (zero). Qual o diagnóstico e conduta?
Dor súbita + Palidez + Pulso ausente + Parestesia + Paralisia = Oclusão Arterial Aguda.
A fibrilação atrial é a principal fonte emboligênica. O quadro clínico de 6 Ps com déficit motor e sensitivo (Rutherford IIb) indica urgência cirúrgica imediata para salvamento do membro.
A oclusão arterial aguda (OAA) é uma emergência vascular definida pela interrupção súbita do fluxo sanguíneo para uma extremidade. A fisiopatologia envolve mais comumente a embolia (origem cardíaca em 80% dos casos, frequentemente por FA) ou a trombose in situ sobre uma placa aterosclerótica pré-existente. O diagnóstico é eminentemente clínico, e o uso do Doppler com ITB zero confirma a gravidade da isquemia. A classificação de Rutherford é essencial para guiar a conduta: Classe I (viável), IIa (ameaça marginal), IIb (ameaça imediata) e III (isquemia irreversível). No caso apresentado, a perda de sensibilidade e motricidade parcial coloca o paciente na categoria IIb, exigindo revascularização imediata. A tromboembolectomia com cateter de Fogarty permanece o padrão-ouro para casos embólicos, visando restaurar a perfusão antes que ocorra necrose muscular definitiva.
Os 6 Ps representam os sinais e sintomas clássicos da isquemia aguda de membros: Pain (dor), Pallor (palidez), Pulselessness (ausência de pulso), Paresthesia (parestesia), Paralysis (paralisia) e Poikilothermia (frialdade). A presença de déficit motor (paralisia) e perda de sensibilidade (parestesia) classifica a isquemia como Rutherford IIb ou III, indicando ameaça imediata à viabilidade do membro e necessidade de intervenção cirúrgica urgente.
A embolia geralmente apresenta início súbito, em pacientes com fonte emboligênica conhecida (como fibrilação atrial ou infarto prévio) e sem história prévia de claudicação intermitente. A trombose arterial costuma ter início mais insidioso em pacientes com doença aterosclerótica crônica, história de claudicação e pulsos diminuídos no membro contralateral.
A conduta imediata envolve a anticoagulação plena com heparina não fracionada endovenosa para evitar a progressão do trombo e a preparação para revascularização de urgência, geralmente via tromboembolectomia com cateter de Fogarty. O tempo é crítico (time is muscle), e o atraso na intervenção pode levar à síndrome compartimental ou necessidade de amputação.
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