UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2019
Mulher de 64 anos apresenta membro inferior direito (MID) pálido e muito doloroso há 3 horas. Encontra-se com o pé direito pendente na maca, com cianose não fixa nos artelhos, gradiente térmico no meio da perna, sem perdas de sensibilidade ou da motricidade nesse membro. Refere nunca ter apresentado dor semelhante nos membros inferiores. Relata que recentemente vêm sentindo episódios súbitos de palpitações. Exame físico: FC 120 bpm, com bulhas arrítmicas. Membros inferiores: pulsos poplíteo, tibial anterior e tibial posterior não palpáveis à direita e presentes e cheios à esquerda; edema da perna direita, com cianose distal. O diagnóstico e a conduta mais adequada são:
Oclusão arterial aguda + início súbito + palpitações + bulhas arrítmicas (FA) → embolia arterial; conduta: embolectomia com Fogarty.
O quadro clínico de dor súbita, palidez, ausência de pulsos e cianose em um membro, associado a histórico de palpitações e bulhas arrítmicas (sugestivo de fibrilação atrial), aponta fortemente para uma oclusão arterial aguda de origem embólica. A embolectomia com cateter Fogarty é a conduta de escolha para restaurar o fluxo sanguíneo rapidamente e salvar o membro.
A oclusão arterial aguda (OAA) de membro inferior é uma emergência vascular grave que, se não tratada rapidamente, pode levar à perda do membro ou até mesmo à morte. Caracteriza-se por dor súbita e intensa, palidez, frialdade, parestesia, paralisia e ausência de pulsos distais (os "6 Ps" da isquemia). A etiologia mais comum é a embólica, seguida pela trombótica. No caso apresentado, a paciente de 64 anos com dor súbita, palidez, cianose distal e ausência de pulsos no MID, sem histórico prévio de dor semelhante, e com episódios de palpitações e bulhas arrítmicas (sugestivo de fibrilação atrial), aponta fortemente para uma embolia arterial. A fibrilação atrial é a principal causa de embolia arterial periférica, onde coágulos se formam no átrio esquerdo e são ejetados para a circulação sistêmica. A conduta mais adequada para a oclusão arterial aguda de origem embólica, especialmente com sinais de isquemia ameaçadora ao membro, é a embolectomia cirúrgica com cateter tipo Fogarty. Este procedimento permite a remoção mecânica do êmbolo e a restauração rápida do fluxo sanguíneo, sendo crucial para preservar a viabilidade do membro. O tratamento endovascular pode ser considerado em casos selecionados, mas a embolectomia aberta é frequentemente a primeira escolha em quadros agudos e graves.
Os "6 Ps" são: Pain (dor), Pallor (palidez), Paresthesia (parestesia), Paralysis (paralisia), Pulselessness (ausência de pulso) e Poikilothermia (poiquilotermia ou frialdade). Eles são cruciais para o diagnóstico rápido da isquemia arterial aguda.
A oclusão embólica geralmente tem início súbito, sem histórico de doença arterial periférica prévia no membro afetado, e frequentemente associada a uma fonte cardíaca (ex: FA). A trombótica ocorre em artérias já doentes (aterosclerose), com histórico de claudicação e início mais insidioso.
A embolectomia com Fogarty é um procedimento cirúrgico rápido e eficaz para remover o êmbolo e restaurar o fluxo sanguíneo, minimizando o tempo de isquemia e o risco de perda do membro. É preferível ao tratamento endovascular em casos de embolia aguda com isquemia grave.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo