Ocitocina no Parto: Riscos e Recomendações da FEBRASGO

HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2024

Enunciado

Gestante de risco habitual, 38 semanas, deseja elaborar o seu plano de parto. Em relação à assistência ao parto humanizado e seguro para essa gestante, conforme a FEBRASGO, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) O uso excessivo e prolongado da ocitocina durante o trabalho de parto deve ser evitado, pois aumenta o risco de hemorragia por atonia, devido à ocorrência de dessensibilização de seus receptores uterinos.
  2. B) O clampeamento do cordão deve ocorrer após 20 segundos do nascimento, no caso de feto vigoroso, resultando em maiores níveis de hemoglobina neonatal e facilitando a transição fetal para neonatal.
  3. C) O contato pele a pele na primeira hora de vida deve ser estimulado, pois reduz a incidência de hemorragia pós-parto, sendo uma medida de saúde pública.
  4. D) A episiotomia deve ser realizada de forma rotineira, pois diminui a ocorrência de sangramento e reduz lacerações perineais.

Pérola Clínica

Ocitocina excessiva/prolongada → dessensibilização receptores uterinos → ↑ risco de atonia uterina e hemorragia pós-parto.

Resumo-Chave

O uso de ocitocina no trabalho de parto deve ser monitorado e evitado em excesso, pois a exposição prolongada pode levar à dessensibilização dos receptores uterinos, aumentando o risco de atonia uterina e, consequentemente, de hemorragia pós-parto. As demais alternativas apresentam informações incorretas ou incompletas sobre as práticas recomendadas para um parto humanizado e seguro, como o clampeamento tardio do cordão, o contato pele a pele e a restrição da episiotomia.

Contexto Educacional

A assistência ao parto humanizado e seguro preconiza práticas baseadas em evidências para otimizar os desfechos maternos e neonatais. A ocitocina é uma medicação fundamental na obstetrícia, utilizada para indução e condução do trabalho de parto e prevenção da hemorragia pós-parto. No entanto, seu uso deve ser criterioso. O uso excessivo ou prolongado de ocitocina durante o trabalho de parto pode levar à taquissistolia uterina, sofrimento fetal e, mais criticamente, à dessensibilização dos receptores de ocitocina no miométrio. Essa dessensibilização aumenta significativamente o risco de atonia uterina no pós-parto, a principal causa de hemorragia pós-parto (HPP), uma das maiores causas de morbimortalidade materna. Outras práticas importantes incluem o clampeamento tardio do cordão umbilical (após 1 a 3 minutos ou cessar as pulsações) em recém-nascidos vigorosos, para promover a transfusão placentária e melhorar os estoques de ferro do bebê. O contato pele a pele imediato favorece o vínculo, a amamentação e a estabilidade térmica neonatal. A episiotomia, por sua vez, não deve ser rotineira, sendo indicada apenas em situações específicas para evitar lacerações graves ou facilitar o parto, pois seu uso indiscriminado aumenta o risco de trauma perineal.

Perguntas Frequentes

Quais os riscos do uso prolongado de ocitocina no parto?

O uso prolongado ou excessivo de ocitocina pode levar à taquissistolia uterina, sofrimento fetal e, mais importante, à dessensibilização dos receptores de ocitocina no útero, aumentando o risco de atonia uterina e hemorragia pós-parto.

Qual a recomendação para o clampeamento do cordão umbilical?

Em recém-nascidos vigorosos, o clampeamento tardio do cordão umbilical (após 1 a 3 minutos ou até cessarem as pulsações) é recomendado para permitir a transfusão placentária, o que melhora os níveis de hemoglobina e os estoques de ferro do bebê.

A episiotomia deve ser realizada de forma rotineira?

Não, a episiotomia não deve ser realizada de forma rotineira. As diretrizes atuais recomendam seu uso restritivo, apenas quando houver indicação clínica específica, pois sua prática rotineira aumenta o risco de lacerações perineais graves e outras complicações.

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