UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2025
Mãe leva seu filho de 11 meses de idade à UPA devido desconforto respiratório súbito. Nega coriza, espirros ou febre. Relata ter deixado a criança brincando com os irmãos mais velhos enquanto preparava o jantar e quando retornou o filho apresentada respiração ruidosa e tosse. Ao exame, lactente alerta, agitado, com retração de fúrcula e estridor. Neste momento, a conduta mais adequada é:
Lactente consciente com desconforto respiratório súbito e estridor, sem febre → suspeitar de OVACE e iniciar manobras de desengasgo (5 golpes dorsais + 5 compressões torácicas).
Diante de um lactente consciente com sinais de obstrução de via aérea por corpo estranho (OVACE), a conduta imediata é a aplicação da sequência de 5 golpes nas costas (tapotagem) e 5 compressões torácicas. Medicamentos e exames de imagem são secundários e não devem atrasar a manobra que pode salvar a vida.
A Obstrução de Vias Aéreas por Corpo Estranho (OVACE) é uma emergência pediátrica com alta morbimortalidade, especialmente em crianças menores de 3 anos. A curiosidade natural e a imaturidade da deglutição e dentição colocam os lactentes em alto risco. A apresentação clínica é tipicamente súbita, em uma criança previamente saudável, muitas vezes durante alimentação ou brincadeiras. Os sinais variam de tosse eficaz (obstrução leve) a tosse ineficaz, estridor, afonia, cianose e perda de consciência (obstrução grave). A ausência de pródromos infecciosos é um forte indicativo contra causas como a laringite. O manejo depende do estado da criança. Se o lactente estiver consciente e com sinais de obstrução grave, a conduta imediata, preconizada pelos protocolos de Suporte Básico de Vida (BLS/PALS), é a sequência de 5 golpes dorsais (tapotagem) seguidos de 5 compressões torácicas. Se a criança perder a consciência, deve-se iniciar a reanimação cardiopulmonar (RCP), verificando a orofaringe em busca do objeto antes de cada ventilação.
Sinais de gravidade incluem tosse silenciosa ou ineficaz, estridor de alta frequência, dificuldade respiratória crescente com uso de musculatura acessória, cianose e alteração do nível de consciência. Nestes casos, as manobras de desengasgo são urgentes.
A sequência é: 5 golpes nas costas (tapotagem) com o lactente em decúbito ventral sobre o antebraço do socorrista, seguidos por 5 compressões torácicas (com 2 dedos no esterno) com o lactente em decúbito dorsal. O ciclo deve ser repetido até a desobstrução ou perda de consciência.
As compressões abdominais não são recomendadas em crianças menores de 1 ano devido ao risco elevado de lesão em órgãos abdominais, como fígado e baço, que são proporcionalmente maiores e menos protegidos pela caixa torácica nessa faixa etária.
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