Obstrução Via Aérea Pediátrica: Manejo de Emergência

HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2025

Enunciado

Menino, de 2 anos de idade, foi levado ao pronto-socorro pela mãe, que relatava história de 3 dias de tosse, coriza e febre e há 2 dias desconforto respiratório. Tem antecedente de paralisia cerebral por anóxia neonatal. O paciente não tem traqueostomia ou gastrostomia. Faz uso de salmeterol e fluticasona, por quadro de sibilância recorrente. Ao exame físico inicial, foram observados hipoxemia e desconforto respiratório, associados a sibilos bilaterais em ausculta pulmonar. Foram realizadas as medidas iniciais, o paciente evoluiu estável, mas com necessidade de internação. Foi transferido para o leito de enfermaria onde encontra-se atualmente. Na enfermaria, o paciente foi mantido com salbutamol 400mcg a cada 4 horas, prednisolona 1mg/kg/dia e oferta de oxigênio em cateter nasal de oxigênio com fluxo a 1L/minuto. No segundo dia de internação hospitalar, evoluiu com vômitos e cianose súbita. Você foi chamado para avaliá-lo e, ao chegar no leito, observa o paciente desacordado, com cianose labial, saturação periférica de oxigênio de 83%, frequência respiratória de 14irpm e frequência cardíaca 56bpm. Nota-se presença de ronco inspiratório, com murmúrios vesiculares reduzidos e tiragem de fúrcula moderada. A ausculta cardíaca está normal, com pulsos periféricos e centrais palpáveis. Tem peso de 14kg. Qual é a conduta correta nesse momento?

Alternativas

  1. A) Acoplar o paciente em cateter nasal de alto fluxo com uma fração inspirada de oxigênio inicial de 100%, associado a um fluxo de 2 litros/kg de peso e reavaliar resposta após 1 hora.
  2. B) Ofertar oxigênio a 100% em máscara não reinalante, realizar dose de salbutamol de 400mcg 3 vezes, com intervalos de 20 minutos, e depois reavaliar saturação.
  3. C) Realizar aspiração de via aérea, ventilação com dispositivo bolsa-válvula-máscara e depois reavaliar saturação e frequência cardíaca.
  4. D) Colocar o paciente sobre prancha rígida e iniciar compressões torácicas na frequência de 15:2; reavaliar atividade cardíaca a cada 2 minutos.

Pérola Clínica

Criança com cianose súbita, bradicardia e ronco inspiratório → Obstrução de via aérea. Prioridade: Aspiração e VBM.

Resumo-Chave

Em uma criança com paralisia cerebral e sibilância recorrente que evolui com cianose súbita, bradicardia e ronco inspiratório, a principal suspeita é obstrução de via aérea. A conduta imediata e correta é a desobstrução da via aérea por aspiração, seguida de ventilação com dispositivo bolsa-válvula-máscara (VBM) para reverter a hipoxemia e bradicardia, que são sinais de falência respiratória iminente.

Contexto Educacional

Emergências respiratórias são a principal causa de parada cardiorrespiratória em crianças, e a rápida identificação e manejo da obstrução de via aérea são cruciais para a sobrevida e desfecho neurológico. Pacientes com paralisia cerebral, como o do caso, têm maior risco de complicações respiratórias devido à disfunção da musculatura respiratória e dificuldade de manejo de secreções. Este cenário é de alta relevância para a prática pediátrica e para provas de residência. O paciente apresenta um quadro de deterioração súbita com cianose, hipoxemia grave (SpO2 83%), bradicardia (FC 56 bpm) e ronco inspiratório, que são sinais clássicos de obstrução de via aérea e falência respiratória iminente. A bradicardia, em particular, é um sinal ominoso em pediatria, indicando hipóxia miocárdica e a necessidade de intervenção imediata. A ausculta de murmúrios vesiculares reduzidos e tiragem de fúrcula moderada reforça a hipótese de obstrução. A conduta correta nesse momento é priorizar a desobstrução e ventilação. A aspiração de via aérea é o primeiro passo para remover secreções que podem estar causando o ronco e a obstrução. Em seguida, a ventilação com dispositivo bolsa-válvula-máscara (VBM) com oxigênio a 100% é a medida mais eficaz para reverter a hipoxemia e a bradicardia, estabilizando o paciente. Somente após a estabilização inicial, outras medidas como o cateter nasal de alto fluxo ou doses repetidas de broncodilatadores seriam consideradas, se ainda houver indicação.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de obstrução grave de via aérea em crianças?

Sinais de obstrução grave incluem cianose, bradicardia, ronco inspiratório, estridor, tiragem importante, esforço respiratório ineficaz, alteração do nível de consciência e hipoxemia refratária à oxigenoterapia.

Por que a bradicardia é um sinal preocupante em emergências respiratórias pediátricas?

A bradicardia em crianças, especialmente em um contexto de desconforto respiratório e hipoxemia, é um sinal tardio e grave de falência respiratória e choque. Indica hipóxia miocárdica e é um preditor de parada cardiorrespiratória iminente, exigindo intervenção imediata.

Qual a importância da aspiração de via aérea e da ventilação com bolsa-válvula-máscara (VBM) neste cenário?

A aspiração de via aérea é crucial para remover secreções ou corpos estranhos que possam estar causando a obstrução. A VBM é a técnica inicial mais eficaz para fornecer ventilação e oxigenação adequadas em uma criança com falência respiratória, revertendo a hipoxemia e a bradicardia antes de considerar medidas mais invasivas.

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