HFASP - Hospital de Força Aérea de São Paulo — Prova 2020
Homem, 65 anos, masculino, sofreu acidente domiciliar há 30 minutos (Queda de 3 metros do telhado). Ao exame físico: mau estado geral, emitindo sons incompreensíveis, com afundamento da mandíbula, epistaxe, respiração ruidosa, expelindo sangue pela boca e alternando períodos de agitação e torpor. Pressão arterial= 100 x 65 mmHg, frequência cardíaca= 140 batimentos/minuto, frequência respiratória=31 movimentos/minuto. SaO2 87% em ar ambiente. Sem outras lesões associadas. A conduta correta a ser tomada é:
Trauma facial grave com obstrução de via aérea e falha na IOT → cricotireoidostomia de emergência.
Paciente com trauma facial grave, afundamento de mandíbula, epistaxe e sangramento oral, apresentando respiração ruidosa e hipóxia (SaO2 87%), indica obstrução iminente ou estabelecida da via aérea superior. Diante da provável dificuldade ou impossibilidade de intubação orotraqueal, a cricotireoidostomia é a conduta de emergência para garantir a via aérea.
O manejo da via aérea é a prioridade número um no atendimento ao paciente traumatizado, seguindo os princípios do ATLS (Advanced Trauma Life Support). Em casos de trauma facial grave, como o descrito, a via aérea pode ser rapidamente comprometida por edema, sangramento, fragmentos ósseos ou aspiração de conteúdo gástrico. A presença de respiração ruidosa, hipóxia e alteração do nível de consciência são sinais alarmantes de obstrução iminente ou estabelecida. A intubação orotraqueal (IOT) é a primeira escolha para garantir uma via aérea definitiva. No entanto, em pacientes com trauma facial maciço, afundamento de mandíbula, epistaxe e sangramento oral abundante, a anatomia pode estar severamente distorcida, tornando a IOT extremamente difícil ou impossível. Nesses cenários, a tentativa repetida de IOT pode atrasar o estabelecimento de uma via aérea e piorar a hipóxia. Quando a IOT falha ou é contraindicada, a cricotireoidostomia de emergência torna-se a conduta salvadora. Este procedimento cirúrgico rápido envolve a criação de uma abertura na membrana cricotireoidea para inserir um tubo, permitindo a ventilação. É uma técnica mais simples e rápida do que a traqueostomia em um contexto de emergência, e é crucial para oxigenar o paciente e prevenir danos cerebrais por hipóxia. A decisão de realizar uma cricotireoidostomia deve ser tomada prontamente quando a via aérea está comprometida e outras opções falharam.
Sinais incluem respiração ruidosa (estridor, roncos), uso de musculatura acessória, agitação ou torpor, cianose, hipóxia (baixa SaO2), incapacidade de falar ou engolir, e lesões faciais ou cervicais que comprometam a anatomia da via aérea.
A cricotireoidostomia é indicada como via aérea cirúrgica de emergência quando há falha na intubação orotraqueal, contraindicações à IOT (como trauma facial maciço que distorce a anatomia), ou obstrução de via aérea superior que não pode ser resolvida por métodos menos invasivos.
A cricotireoidostomia é um procedimento de emergência para acesso rápido à via aérea através da membrana cricotireoidea, sendo mais simples e rápida. A traqueostomia é um procedimento cirúrgico mais complexo, geralmente eletivo ou realizado em situações não emergenciais, para acesso prolongado à via aérea, através da traqueia.
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