Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2019
Um paciente de 27 anos de idade foi submetido, há oito dias, a uma cirurgia de desconexão ázigo-portal e esplenectomia devido a varizes de esôfago sangrantes. Ficou internado, pois, após esse período, queixava-se de dificuldade para se alimentar, além de apresentar aumento do volume abdominal. Relatou ter evacuado e eliminado flatos. Ao exame, encontrava-se em regular estado geral, com pulso de 84 bpm e abdome plano, pouco distendido em andar superior, indolor, com descompressão brusca negativa e ruídos hidroaéreos presentes e normais. Estava sendo tratado com inibidor de bomba de prótons, mas sem melhora. Realizou tomografia de abdome, que mostrou distensão gástrica, sem líquido livre na cavidade, e ausência de sinais de trombose de vasos mesentéricos e porta ou outras alterações. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico mais provável para o paciente.
Pós-cirurgia portal com distensão gástrica e dificuldade alimentar, RHA normais → suspeitar de obstrução de saída gástrica.
Após cirurgias abdominais complexas, como a desconexão ázigo-portal, a distensão gástrica persistente com dificuldade de alimentação, mesmo com trânsito intestinal preservado, sugere uma obstrução mecânica ou funcional da saída gástrica, que deve ser investigada.
A obstrução de saída gástrica no pós-operatório é uma complicação que pode ocorrer após cirurgias abdominais complexas, como a desconexão ázigo-portal e esplenectomia para tratamento de varizes esofágicas sangrantes. Embora menos comum que o íleo adinâmico, sua identificação precoce é crucial para evitar complicações maiores e garantir a recuperação do paciente. Residentes devem estar atentos a essa possibilidade em pacientes com sintomas persistentes. A fisiopatologia pode envolver edema local, aderências, hematomas ou, em casos mais raros, lesão nervosa ou mecânica direta durante o procedimento. A suspeita diagnóstica surge em pacientes com distensão gástrica persistente, vômitos ou dificuldade de progressão da dieta, mesmo com sinais de trânsito intestinal distal preservado (eliminação de flatos e fezes). A tomografia de abdome é um exame útil para excluir outras causas e confirmar a distensão gástrica. O tratamento inicial envolve descompressão gástrica com sonda nasogástrica e suporte hidroeletrolítico. A conduta definitiva dependerá da causa subjacente, podendo variar desde manejo conservador até reintervenção cirúrgica para correção da obstrução. É fundamental que residentes estejam atentos a essa complicação para um manejo adequado e para diferenciar de outras condições pós-operatórias.
Os sinais incluem distensão gástrica persistente, vômitos ou dificuldade de progressão da dieta, mesmo com eliminação de flatos e fezes, indicando trânsito intestinal distal preservado.
Na obstrução gástrica, os ruídos hidroaéreos podem estar presentes e o paciente elimina flatos, enquanto no íleo adinâmico há ausência de ruídos hidroaéreos e parada completa do trânsito intestinal.
A investigação inicial inclui exame físico detalhado, radiografia simples de abdome e, frequentemente, tomografia computadorizada para avaliar a causa da distensão e excluir outras complicações.
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