UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2026
A causa mais frequente de obstrução, com acometimento do intestino delgado, é:
Causa #1 de obstrução de delgado = Aderências (pós-cirúrgicas).
Aderências ou bridas resultantes de processos inflamatórios ou cirurgias prévias são responsáveis por cerca de 60-75% dos casos de obstrução mecânica do intestino delgado.
A obstrução do intestino delgado é uma emergência cirúrgica frequente, caracterizada pela interrupção do fluxo luminal. A fisiopatologia envolve o acúmulo de líquido e gás proximalmente à obstrução, levando à distensão das alças, aumento da pressão intraluminal e potencial comprometimento da perfusão capilar. O reconhecimento das aderências como principal fator etiológico orienta a anamnese, focando em cicatrizes cirúrgicas prévias. O diagnóstico é corroborado por exames de imagem, como a radiografia de abdome (empilhamento de moedas) e, preferencialmente, a tomografia computadorizada, que identifica o ponto de transição e sinais de sofrimento de alça.
As aderências ou bridas formam-se como parte do processo de cicatrização peritoneal após qualquer intervenção cirúrgica abdominal ou pélvica. Essas bandas de tecido fibroso podem causar angulações ou compressões extrínsecas das alças do intestino delgado, que é mais móvel e possui lúmen menor que o cólon, facilitando a obstrução mecânica. Estima-se que até 90% dos pacientes que passam por cirurgia abdominal desenvolvam algum grau de aderência.
Além das aderências, as hérnias da parede abdominal (inguinais, femorais, incisionais) ocupam o segundo lugar mundialmente, sendo a principal causa em populações sem histórico cirúrgico. Outras etiologias incluem neoplasias (primárias ou metastáticas), doenças inflamatórias (como Doença de Crohn), intussuscepção, volvo e corpos estranhos (como o íleo biliar).
O manejo inicial costuma ser conservador na ausência de sinais de estrangulamento (isquemia). Isso inclui jejum oral, descompressão gástrica com sonda nasogástrica, hidratação venosa e correção de distúrbios hidroeletrolíticos. Cerca de 70-80% das obstruções parciais por bridas resolvem-se com medidas clínicas em 24 a 48 horas. A cirurgia é indicada se houver sinais de peritonite, febre, leucocitose ou falha do tratamento conservador.
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