UniEVANGÉLICA - Universidade Evangélica de Goiás — Prova 2021
Você foi solicitado para avaliar um recém-nascido de 36 horas de vida, termo, peso de nascimento 3020 gramas, sem intercorrências no pré-natal, exames maternos todos normais, sem contexto infeccioso. Queixa materna que o recém-nascido (RN) ainda não eliminou mecônio, mãe com bastante colostro e que RN regurgita com frequência. Diurese presente do RN. Ao exame físico: abdômen distendo, doloroso a palpação, ruídos hidroaéreos aumentados, fáceis de dor. Radiografia de abdômen com presença de níveis hidroaéreos. Qual diagnóstico e a conduta?
RN com atraso de mecônio, distensão e vômitos + níveis hidroaéreos na RX → Quadro obstrutivo. Conduta: dieta zero, SOG aberta, hidratação IV, parecer cirúrgico.
Atraso na eliminação de mecônio, distensão abdominal e vômitos em um recém-nascido são sinais de alerta para obstrução intestinal. A conduta inicial visa estabilizar o paciente e descompressão, enquanto se aguarda a avaliação cirúrgica para diagnóstico e tratamento definitivo.
A obstrução intestinal em recém-nascidos é uma emergência pediátrica que requer reconhecimento e manejo rápidos. O atraso na eliminação de mecônio (primeiras fezes do bebê, geralmente nas primeiras 24-48 horas de vida), associado a distensão abdominal e vômitos, são sinais cardinais que devem levantar forte suspeita. A importância clínica reside na alta morbimortalidade se não tratada prontamente, podendo levar a isquemia intestinal, perfuração e sepse. A fisiopatologia varia conforme a causa, que pode ser mecânica (atresias, estenoses, volvo, doença de Hirschsprung, íleo meconial) ou funcional. O diagnóstico é baseado na clínica, exame físico e exames complementares. A radiografia de abdômen é o exame inicial, podendo revelar níveis hidroaéreos e alças dilatadas, indicando obstrução. A presença de vômitos biliares é um sinal de alerta para obstrução distal à ampola de Vater e exige investigação urgente. A conduta inicial para um recém-nascido com suspeita de obstrução intestinal é a estabilização do paciente. Isso inclui manter o paciente em dieta zero (jejum oral), inserir uma sonda orogástrica (SOG) e mantê-la aberta para descompressão gástrica e intestinal, iniciar hidratação venosa para corrigir desequilíbrios hidroeletrolíticos e solicitar parecer da cirurgia pediátrica. A intervenção cirúrgica é frequentemente necessária para resolver a obstrução e prevenir complicações graves. O início de antibióticos pode ser considerado em casos de suspeita de perfuração ou sepse, mas a prioridade é a descompressão e o suporte hemodinâmico.
Os principais sinais incluem vômitos (biliares ou não biliares), distensão abdominal, atraso ou ausência de eliminação de mecônio nas primeiras 24-48 horas de vida, e irritabilidade ou letargia. Ruídos hidroaéreos aumentados ou ausentes podem ser encontrados ao exame físico.
A sonda orogástrica (ou nasogástrica) aberta é fundamental para a descompressão do trato gastrointestinal, aliviando a distensão abdominal e prevenindo vômitos e aspiração pulmonar. Ela ajuda a estabilizar o paciente enquanto se aguarda a intervenção definitiva.
As causas mais comuns incluem atresias intestinais (duodenal, jejunal, ileal), estenoses, doença de Hirschsprung, íleo meconial (associado à fibrose cística), malrotação intestinal com volvo e ânus imperfurado. A identificação da causa específica requer investigação diagnóstica.
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