Obstrução Intestinal Pós-Operatória: Diagnóstico e Manejo

UFGD/HU - Hospital Universitário de Dourados (MS) — Prova 2021

Enunciado

Paciente masculino, 65 anos, no 25º dia do pós-operatório de apendicectomia, chega ao pronto-socorro com história de náuseas e vômitos. Ao exame físico, apresenta-se: afebril, com abdome pouco doloroso a palpação profunda de FID, levemente distendido, DB– (Descompressão Brusca Negativa). Nos exames laboratoriais: leucócitos 18.000, Na 140 mEq/L, K 4,2 mEq/ L, Cl- 105 mEq/L e Bic 14 mEq/L. TC abdome mostra leve distensão de alças de intestino delgado com nível hidroaéreo, sem outras alterações.Como consequência da análise desse caso, qual a conduta correta a ser realizada?

Alternativas

  1. A) SNG e observação.
  2. B) Colonoscopia descompressiva.
  3. C) Enema baritado para aliviar possível volvo.
  4. D) Hidratação e antibioticoterapia endovenosa.
  5. E) Laparotomia exploradora.

Pérola Clínica

Obstrução intestinal pós-operatória (25º dia) com sinais de gravidade (leucocitose, acidose, distensão) → Laparotomia exploradora.

Resumo-Chave

Um paciente no 25º dia de pós-operatório de apendicectomia com náuseas, vômitos, distensão abdominal, leucocitose e acidose metabólica sugere uma obstrução intestinal mecânica, provavelmente por aderências. A falha no tratamento conservador inicial e a presença de sinais de gravidade indicam a necessidade de intervenção cirúrgica imediata (laparotomia exploradora) para identificar e corrigir a causa da obstrução.

Contexto Educacional

A obstrução intestinal pós-operatória é uma complicação comum, especialmente após cirurgias abdominais, sendo as aderências a causa mais frequente em longo prazo. O quadro clínico se manifesta com náuseas, vômitos, distensão abdominal e parada de eliminação de flatos e fezes. É crucial diferenciar entre íleo paralítico (funcional) e obstrução mecânica (física). No caso apresentado, o paciente está no 25º dia de pós-operatório de apendicectomia, o que torna a obstrução por aderências uma forte possibilidade. A presença de leucocitose (18.000) e acidose metabólica (Bic 14 mEq/L) são sinais de alarme que sugerem um quadro de maior gravidade, possivelmente com isquemia intestinal, que não pode ser manejado apenas com tratamento conservador. A tomografia computadorizada (TC) mostrando distensão de alças com nível hidroaéreo, sem outras alterações óbvias, é compatível com obstrução. Diante dos sinais de gravidade e da falha do tratamento conservador inicial, a laparotomia exploradora é a conduta mais apropriada. Ela permite a identificação direta da causa da obstrução (ex: brida aderencial) e sua correção, prevenindo complicações como necrose e perfuração intestinal.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alarme que indicam a necessidade de cirurgia em uma obstrução intestinal pós-operatória?

Sinais de alarme incluem leucocitose progressiva, acidose metabólica, febre, taquicardia, dor abdominal intensa e localizada, e sinais de peritonite, que sugerem isquemia ou perfuração intestinal.

Qual a diferença entre íleo paralítico e obstrução mecânica no pós-operatório?

O íleo paralítico é uma disfunção da motilidade intestinal sem barreira física, geralmente autolimitado. A obstrução mecânica é causada por uma barreira física (aderências, hérnias), com risco de estrangulamento e necrose, exigindo frequentemente intervenção cirúrgica.

Por que a laparotomia exploradora é a conduta correta neste caso?

A laparotomia exploradora é indicada devido à persistência dos sintomas, sinais de gravidade (leucocitose, acidose metabólica) e falha do tratamento conservador, sugerindo uma obstrução mecânica complicada que requer identificação e correção cirúrgica.

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