SMS Curitiba - Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba (PR) — Prova 2026
Homem de 64 anos, hipertenso, diabético e com doença arterial coronariana, foi submetido a colectomia direita eletiva por adenocarcinoma de cólon ascendente. O procedimento transcorreu sem intercorrências e com boa evolução inicial. No 3º dia de pós-operatório, apresenta febre de 38,5°C, taquicardia de 112 bpm, leve desconforto abdominal difuso e distensão abdominal discreta. Relata náuseas, mas sem vômitos. Ao exame físico: ferida operatória sem sinais de infecção, ruídos hidroaéreos diminuídos, dor difusa à palpação profunda sem defesa ou rigidez. O hemograma mostra leucócitos de 15.400/mm³ (86% neutrófilos), Lactato de 2,6 mmol/L. Radiografia de abdome em ortostase: distensão de alças delgadas e ausência de ar no reto. Tomografia de abdome com contraste evidencia distensão de delgado proximal, com alça de transição única na topografia da anastomose, sem líquido livre significativo e sem coleções visíveis. Com base no quadro clínico e nos achados de imagem, a conduta mais adequada é:
Obstrução mecânica precoce (3-5 dias) sem peritonite → Manejo conservador (SNG + Jejum) inicial.
A obstrução intestinal no pós-operatório precoce é frequentemente inflamatória ou por aderências frouxas; o tratamento conservador evita reoperações tecnicamente difíceis.
A obstrução intestinal que ocorre nos primeiros 30 dias após uma laparotomia é denominada obstrução pós-operatória precoce. Cerca de 90% desses casos são resolvidos com tratamento clínico conservador, pois a causa costuma ser inflamatória ou por aderências fibrinosas que podem regredir. No cenário de uma colectomia recente, a presença de uma zona de transição na TC sugere um componente mecânico, mas a estabilidade hemodinâmica e a ausência de sinais de irritação peritoneal favorecem a tentativa de manejo conservador. A reintervenção precoce é evitada devido ao intenso processo inflamatório e aderências firmes que tornam a dissecção perigosa.
A conduta inicial é conservadora, baseada em jejum, hidratação venosa, correção de distúrbios hidroeletrolíticos e descompressão gástrica com sonda nasogástrica se houver vômitos ou distensão importante.
A reoperação é indicada em casos de suspeita de isquemia intestinal, peritonite, evisceração, deiscência de anastomose ou quando o tratamento conservador falha após 48-72 horas de observação rigorosa.
O íleo paralítico costuma ser difuso e sem ponto de transição na TC, enquanto a obstrução mecânica apresenta uma zona de transição clara entre alças dilatadas e colabadas. Clinicamente, a obstrução mecânica cursa com dor em cólica e ruídos hidroaéreos aumentados inicialmente.
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