UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022
Um paciente de 55 anos de idade, submetido a apendicectomia por cirurgião experiente devido ao quadro de apendicite aguda supurada com 72 horas de evolução, cujo relato operatório descrevia apêndice pseudotumoral perfurado em sua extremidade, bloqueado pelo íleo terminal, e presença de volumoso abcesso pélvico adjacente. Após boa aceitação de dieta líquida, completa, no dia seguinte à cirurgia, após 48 horas de pós-operatório, apresenta quadro de dor, distensão abdominal gradual e vômitos. Os exames laboratoriais, nas últimas 72 horas de pós-operatório, demonstram pouca alteração evolutiva, após queda acentuada da proteína C-reativa e melhora do desvio à esquerda na leucometria nas primeiras 24 horas de pós-operatório. A provável causa para o quadro obstrutivo descrito se deve a
Dor, distensão e vômitos pós-apendicectomia complicada com abscesso → suspeitar de abscesso residual ou obstrução.
Em pacientes submetidos a apendicectomia por quadros complicados (perfurados, com abscesso), a persistência ou o surgimento de sintomas obstrutivos como dor, distensão e vômitos no pós-operatório tardio, mesmo com melhora inicial dos marcadores inflamatórios, deve levantar a suspeita de complicações como abscesso residual ou bridas/aderências causando obstrução. O abscesso residual pode comprimir estruturas adjacentes, como o íleo terminal, levando à obstrução.
A apendicectomia é um dos procedimentos cirúrgicos mais comuns, mas em casos de apendicite aguda complicada, como a supurada ou perfurada com abscesso, o risco de complicações pós-operatórias aumenta significativamente. É crucial que residentes e estudantes de medicina estejam aptos a reconhecer e manejar essas intercorrências para garantir a segurança do paciente. Complicações como abscesso residual e obstrução intestinal são particularmente relevantes. O abscesso pélvico residual pode não apenas causar sepse, mas também comprimir estruturas adjacentes, como o íleo terminal, levando a um quadro de obstrução mecânica. A distinção entre íleo paralítico pós-operatório e obstrução mecânica é fundamental para a conduta adequada, sendo o íleo paralítico uma condição funcional autolimitada e a obstrução mecânica uma emergência cirúrgica potencial. O manejo dessas complicações envolve uma avaliação clínica detalhada, exames laboratoriais e de imagem (como tomografia computadorizada de abdome) para confirmar o diagnóstico. O tratamento pode variar desde o manejo conservador para íleo paralítico até a drenagem percutânea de abscessos ou reintervenção cirúrgica para obstruções mecânicas. A vigilância pós-operatória é essencial, e a persistência de sintomas obstrutivos ou inflamatórios deve sempre levantar a suspeita de uma complicação subjacente.
Sinais de alerta incluem dor abdominal progressiva, distensão abdominal, vômitos persistentes e ausência de eliminação de flatos ou fezes, especialmente após um período inicial de melhora.
A principal causa em casos complicados, como apendicite perfurada com abscesso, é o abscesso residual que pode comprimir alças intestinais ou a formação de bridas e aderências.
O íleo paralítico geralmente apresenta melhora gradual, enquanto a obstrução mecânica pode ter um início mais abrupto ou piora progressiva dos sintomas, frequentemente associada a ruídos hidroaéreos aumentados ou metálicos em fases iniciais, e pode ser confirmada por exames de imagem.
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