Emergência Oncológica: Obstrução por Câncer Colorretal

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Um homem de 68 anos, com histórico de alteração do hábito intestinal e perda ponderal de 8 kg nos últimos 4 meses, é admitido na emergência com quadro de dor abdominal em cólica, distensão importante e parada de eliminação de gases e fezes há 3 dias. Ao exame físico, apresenta-se desidratado, com abdome timpanizado e ruídos hidroaéreos metálicos. O toque retal revela ampola retal vazia. A tomografia de abdome demonstra uma lesão expansiva estenosante em cólon sigmoide, com grande dilatação de cólon a montante. Considere os exames laboratoriais admissionais apresentados na tabela abaixo: | Exame | Resultado | Valor de Referência | | :--- | :---: | :---: | | Hemoglobina | 10,2 g/dL | 13,5 - 17,5 g/dL | | Leucócitos | 12.400/mm³ | 4.000 - 11.000/mm³ | | Lactato Sérico | 2,8 mmol/L | < 2,0 mmol/L | | Creatinina | 1,4 mg/dL | 0,7 - 1,3 mg/dL | Com base no quadro de emergência oncológica colorretal descrito, assinale a alternativa INCORRETA:

Alternativas

  1. A) O uso de stents metálicos autoexpansíveis é formalmente contraindicado em pacientes que possuem perspectiva de tratamento puramente paliativo.
  2. B) Em casos de obstrução de cólon esquerdo com válvula ileocecal competente, o ceco é o local mais frequente de perfuração diastática por distensão.
  3. C) A ressecção do segmento tumoral, com ou sem a realização de anastomose primária, é geralmente preferível à simples derivação proximal isolada.
  4. D) A realização de uma colostomia em alça, geralmente no cólon transverso, pode ser utilizada como uma medida temporária de descompressão.

Pérola Clínica

Obstrução de cólon esquerdo + válvula ileocecal competente → ↑ risco de perfuração diastática no ceco (Lei de Laplace).

Resumo-Chave

Stents metálicos autoexpansíveis são opções valiosas tanto como ponte para cirurgia eletiva quanto para paliação definitiva, não sendo contraindicados em pacientes paliativos.

Contexto Educacional

A obstrução intestinal é uma complicação frequente do câncer colorretal, ocorrendo em até 15-20% dos casos. O quadro clínico de dor em cólica, distensão e parada de eliminação de flatos sugere obstrução baixa. A tomografia é o padrão-ouro para localizar a estenose e avaliar sinais de sofrimento de alça. Laboratorialmente, a elevação do lactato e da creatinina (desidratação/pré-renal) indica gravidade. O manejo deve focar na estabilização volêmica e descompressão. A discussão sobre stents vs. cirurgia é central: embora os stents evitem cirurgias de urgência, eles possuem riscos de migração e perfuração. No entanto, afirmar que são contraindicados em cuidados paliativos é incorreto, pois são ferramentas essenciais para evitar estomas definitivos em pacientes com baixa expectativa de vida. A decisão entre ressecção primária e derivação depende da experiência da equipe e do status clínico do paciente.

Perguntas Frequentes

Por que o ceco é o local mais comum de perfuração na obstrução distal?

Isso ocorre devido à Lei de Laplace, que estabelece que a tensão na parede de uma víscera oca é diretamente proporcional à sua pressão interna e ao seu raio. Como o ceco é o segmento do cólon com o maior diâmetro (maior raio), ele sofre a maior tensão parietal quando há distensão retrógrada. Se a válvula ileocecal for competente, o cólon se torna um 'alça fechada', aumentando drasticamente a pressão e levando à isquemia e perfuração diastática, geralmente no ceco.

Quais as indicações do stent metálico autoexpansível (SEMS)?

O SEMS possui duas indicações principais no câncer colorretal obstrutivo: 1) Ponte para cirurgia (Bridge to Surgery): permite a descompressão do cólon, preparo anterógrado e realização de cirurgia eletiva com anastomose primária, evitando estomas. 2) Paliação definitiva: em pacientes com doença metastática avançada ou sem condições cirúrgicas, o stent restaura o trânsito intestinal sem a necessidade de procedimentos invasivos, melhorando a qualidade de vida e evitando a colostomia.

Qual a conduta cirúrgica preferencial na obstrução de cólon esquerdo?

A tendência atual é a ressecção do segmento tumoral (colectomia) sempre que possível, pois a simples derivação proximal (colostomia em alça) deixa o tumor 'in situ', mantendo o risco de sangramento e perfuração local. Dependendo das condições clínicas do paciente (estabilidade hemodinâmica, lactato, nutrição) e do grau de contaminação fecal, pode-se optar pela anastomose primária ou pelo procedimento de Hartmann (ressecção com colostomia terminal e fechamento do coto retal).

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