FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2024
Homem, 26 anos, refere dor abdominal difusa há 4 dias, acompanhada de diminuição do apetite e náuseas. Não evacua há 3 dias; elimina poucos gases. Não houve melhora da dor com uso de antiespasmódico. Nega febre. Refere ter sido operado de hérnia inguinal direita encarcerada há 5 meses. Ao exame físico: abdome distendido, doloroso à palpação profunda difusamente, descompressão brusca negativa, ruídos hidroaéreos aumentados. Presença de cicatriz operatória na região inguinal direita. Realizada radiografia simples de abdome (imagem demonstrada a seguir). A opção mais recomendada para abordagem terapêutica inicial deste paciente deverá ser:
Obstrução intestinal simples por bridas → Manejo conservador inicial (Jejum + SNG + Hidratação) por 48-72h.
A maioria das obstruções por bridas em pacientes sem sinais de estrangulamento responde ao tratamento clínico inicial, evitando laparotomias desnecessárias.
A obstrução intestinal por bridas é a principal causa de abdome agudo obstrutivo em pacientes com cirurgias abdominais prévias. A fisiopatologia baseia-se na formação de tecido cicatricial fibroso que aprisiona ou angula as alças intestinais. O sucesso do tratamento clínico gira em torno de 70-80% dos casos. O uso de contraste hidrossolúvel pode ter papel tanto diagnóstico quanto terapêutico, acelerando a resolução do quadro.
O tratamento conservador é indicado na obstrução intestinal mecânica causada por bridas e aderências, desde que o paciente não apresente sinais de complicação, como estrangulamento, isquemia ou perfuração. Os critérios de segurança incluem ausência de febre, leucocitose importante, taquicardia persistente ou sinais de irritação peritoneal (descompressão brusca positiva). O manejo envolve jejum, hidratação venosa vigorosa, correção de eletrólitos e descompressão gástrica com sonda nasogástrica.
Geralmente, o período de observação para o tratamento conservador varia de 48 a 72 horas. Se houver melhora clínica (eliminação de gases e fezes, redução da dor e distensão) e radiológica, a dieta é reintroduzida progressivamente. Caso não haja resolução nesse intervalo, ou se o paciente desenvolver sinais de sofrimento de alça (dor persistente, piora do estado geral, sinais de peritonite), a intervenção cirúrgica torna-se mandatória.
Na radiografia simples de abdome, os achados clássicos incluem a distensão de alças de intestino delgado (diâmetro > 3 cm), presença de níveis hidroaéreos escalonados, sinal do 'empilhamento de moedas' (pregas coniventes visíveis) e ausência ou escassez de gás no cólon e reto. A presença de gás no reto sugere uma obstrução parcial (suboclusão), o que reforça a tentativa de manejo conservador inicial.
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