UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2023
Leia atentamente o texto abaixo, que contém a descrição de um quadro clínico. Com base nas informações contidas no texto, responda a questão.Paciente feminina, 54 anos, internada na Emergência com quadro de dor abdominal e vômitos. O quadro tem cerca 48 horas de evolução. Ao colher a história, o colega de plantão identificou que os vômitos iniciaram após as 24h do quadro de dor, e tem aspecto escurecido de odor pouco característico. Ao exame físico, apresenta cicatriz de “pffanenstiel” (Cesárea), quadro de distensão abdominal importante, os ruídos hidroaéreos estão aumentados. A dor é difusa, mal definida. A paciente apresenta-se desidratada ++ / 4, hemodinamicamente estável e afebril no momento. Não apresenta patologias de base, não usa nenhum medicamento, tem apenas histórico de duas Cesáreas anteriores.Considerando a história, o quadro clínico e a hipótese de Abdome Agudo Obstrutivo dessa paciente, assinale a alternativa correta:
Cicatriz abdominal + distensão + RHA aumentados → Obstrução por bridas/aderências.
Em pacientes com histórico cirúrgico, as bridas são a causa mais comum de obstrução mecânica do intestino delgado, superando neoplasias e hérnias.
O abdome agudo obstrutivo é uma emergência cirúrgica frequente na prática médica. O caso clínico descreve uma paciente com cicatriz de Pfannenstiel, sugerindo manipulação pélvica prévia (cesáreas), o que constitui o principal fator de risco para o desenvolvimento de bridas. A cronologia dos sintomas, onde a dor precede os vômitos, e o exame físico com distensão e RHA aumentados, são achados clássicos da obstrução mecânica de delgado. A diferenciação entre causas mecânicas e funcionais é crucial para o manejo adequado. Enquanto o íleo adinâmico responde a medidas de suporte, a obstrução mecânica pode evoluir para isquemia e perfuração se não monitorada de perto. O conhecimento da anatomia cirúrgica e das complicações pós-operatórias tardias é essencial para o diagnóstico diferencial assertivo na emergência.
As bridas ou aderências pós-operatórias representam cerca de 60% a 75% dos casos de obstrução do intestino delgado em adultos com histórico de laparotomia. Elas resultam do processo de cicatrização peritoneal após trauma cirúrgico, podendo causar angulação ou encarceramento de alças intestinais. Outras causas importantes incluem hérnias e neoplasias, mas as aderências lideram as estatísticas em pacientes previamente operados.
Na obstrução mecânica, os ruídos hidroaéreos (RHA) costumam estar aumentados e metálicos na fase inicial, refletindo a tentativa do intestino de vencer o obstáculo. No íleo paralítico (adinâmico), os RHA estão reduzidos ou ausentes, e a dor costuma ser menos intensa e mais difusa. Além disso, a obstrução mecânica frequentemente apresenta ondas peristálticas visíveis em pacientes magros.
A conduta inicial em obstruções simples costuma ser conservadora, baseada em jejum, sonda nasogástrica para descompressão e hidratação vigorosa. A cirurgia é indicada na falha do tratamento clínico em 24-48 horas ou imediatamente se houver sinais de estrangulamento, como febre, leucocitose, acidose metabólica ou dor persistente localizada, indicando sofrimento de alça.
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