SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2026
Um paciente de 52 anos de idade, operado há um ano por apendicite complicada com peritonite, procurou o pronto atendimento com dor abdominal tipo cólica, vômitos biliosos e ausência de eliminação de gases há 24 horas. Ao exame físico, apresentou abdome distendido, timpanismo difuso, dor à palpação sem sinais de peritonite, FC = 110 bpm, FR = 22 irpm, PA = 118x74 mmHg e temperatura = 37,2℃. A radiografia de abdome em ortostase mostrou múltiplos níveis hidroaéreos em delgado. Qual é a medida inicial mais apropriada para o manejo desse paciente?
Obstrução por bridas sem sinais de sofrimento de alça → Tratamento conservador (SNG + Hidratação) por 24-48h.
A maioria das obstruções por bridas resolve-se com descompressão gástrica e jejum. A cirurgia é reservada para falha do tratamento clínico ou sinais de estrangulamento.
A obstrução intestinal por bridas (aderências) é a causa mais comum de oclusão do intestino delgado em pacientes com cirurgias abdominais prévias. O histórico de apendicite complicada com peritonite aumenta significativamente o risco de formação de aderências firmes. O desafio clínico reside em diferenciar a obstrução simples daquela com estrangulamento. O manejo inicial conservador é bem-sucedido em até 80% dos casos de obstrução parcial. O uso de contraste hidrossolúvel (Gastrografin) pode ter papel tanto diagnóstico quanto terapêutico, acelerando a resolução do quadro. A monitorização constante é vital, pois o atraso na cirurgia em casos de isquemia intestinal eleva drasticamente a morbimortalidade.
O tratamento conservador baseia-se no tripé: jejum oral absoluto para repouso intestinal, descompressão gástrica contínua via sonda nasogástrica (SNG) para reduzir a distensão e o risco de aspiração, e hidratação venosa vigorosa com correção de distúrbios hidroeletrolíticos (frequentemente hipocalemia e alcalose metabólica). A vigilância clínica rigorosa, com exames físicos seriados, é essencial para detectar precocemente sinais de falha terapêutica.
A intervenção cirúrgica imediata é indicada na presença de sinais de peritonite (dor à descompressão, defesa abdominal), instabilidade hemodinâmica, febre ou leucocitose importante, sugerindo sofrimento de alça (estrangulamento). Na ausência desses sinais, o tratamento conservador pode ser mantido por 24 a 72 horas; se não houver resolução do quadro (eliminação de gases ou fezes) nesse período, a laparotomia deve ser considerada.
A radiografia de abdome (em decúbito e ortostase) é o exame inicial de escolha. Os achados clássicos incluem distensão de alças de delgado (diâmetro > 3 cm), presença de níveis hidroaéreos escalonados e ausência ou escassez de gás no cólon e reto. Embora útil para confirmar a obstrução, a radiografia tem sensibilidade limitada para identificar a causa exata ou sinais de sofrimento de alça, onde a TC de abdome é superior.
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