FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2026
Homem de 32 anos, com antecedente pessoal de apendicectomia aos 20 anos, realizada através de incisão de McBurney, dá entrada na emergência cirúrgica de um hospital terciário com queixa de dor e distensão abdominal há 3 dias, associadas a vômitos. Não evacua e não elimina flatos há 5 dias. Considerando-se a hipótese de abdome agudo obstrutivo secundário a bridas, assinale a alternativa correta em relação ao tratamento:
Obstrução por bridas → Laparoscopia reduz morbidade, apesar do ↑ risco de lesão de alça.
A laparoscopia é uma opção viável e vantajosa para o tratamento de obstrução por bridas, oferecendo recuperação mais rápida, embora exija cautela pelo risco de lesão intestinal em alças distendidas.
A obstrução intestinal por bridas (aderências) é a causa mais comum de abdome agudo obstrutivo em pacientes com cirurgia abdominal prévia. O manejo inicial costuma ser conservador (jejum, sonda nasogástrica, hidratação), mas cerca de 20-30% dos pacientes necessitarão de cirurgia. A evolução da cirurgia minimamente invasiva permitiu que a laparoscopia se tornasse uma ferramenta valiosa nesse cenário. Embora tecnicamente desafiadora devido ao espaço reduzido, a adesiólise laparoscópica reduz a resposta inflamatória sistêmica e acelera a recuperação do paciente. A seleção criteriosa do paciente e a experiência da equipe cirúrgica são determinantes para minimizar o risco de complicações e garantir o sucesso do procedimento.
A abordagem laparoscópica oferece menor dor pós-operatória, retorno mais precoce do peristaltismo (redução do íleo paralítico), menor tempo de internação hospitalar e menor incidência de novas aderências no futuro. Além disso, permite uma visualização detalhada da cavidade, facilitando a identificação do ponto de transição da obstrução. É especialmente útil em pacientes com poucas cirurgias prévias e obstrução proximal.
O principal risco é a lesão inadvertida de alças intestinais (enterotomia), que ocorre com mais frequência do que na via aberta devido à distensão das alças, que reduz o espaço de trabalho e torna as paredes intestinais mais frágeis e difíceis de manipular. A entrada na cavidade (primeiro trocarte) é o momento de maior risco, sendo recomendada a técnica aberta (Hasson) ou o uso de trocartes ópticos em locais distantes de cicatrizes prévias.
A falha do tratamento conservador é indicada pela persistência da dor abdominal, ausência de eliminação de gases/fezes após 48-72 horas, drenagem gástrica persistente de alto débito (>500ml/24h) ou, mais gravemente, pelo surgimento de sinais de peritonite, febre e leucocitose, que sugerem sofrimento de alça (isquemia ou necrose). Nesses casos, a intervenção cirúrgica imediata é obrigatória.
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