AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2025
Paciente masculino, 45 anos, dá entrada no pronto-socorro com queixa de dor abdominal em cólica, distensão abdominal, anorexia e parada de eliminação de gases e fezes com cerca de 12 horas de evolução. Relata dois episódios de vômitos pós alimentares. Afirma ter hipotireoidismo e dislipidemia em uso regular de medicação. Nega alergias. De história pregressa relata vasectomia há 4 anos, tratamento cirúrgico de fratura exposta da perna esquerda há 10 anos e cirurgia para tratamento de apendicite aguda “supurada” há 10 anos. Ao exame: regular estado geral, desidratado +/IV, hipocorado +/IV. P: 96 bpm, PA: 125x82 mmHg, Sat. O2: 97%, Temp.: 37,1ºC. Abdome distendido, flácido, doloroso a palpação profunda difusa, hipertimpânico nos quatro quadrantes, sem visceromegalia ou sinais de irritação peritoneal. Assinale a assertiva correta:
Obstrução por brida sem sinais de estrangulamento → SNG + Hidratação + Observação (sucesso em >70%).
A principal causa de obstrução de delgado em pacientes com cirurgia prévia são as bridas. Na ausência de sinais de peritonite ou isquemia, o manejo inicial é conservador.
A obstrução intestinal é uma emergência cirúrgica comum, sendo as aderências (bridas) pós-operatórias responsáveis por cerca de 60% a 75% dos casos de obstrução do intestino delgado. O diagnóstico é clínico-radiológico, caracterizado pela tríade de dor em cólica, distensão abdominal e parada de eliminação de flatos e fezes. O manejo conservador baseia-se na premissa de que muitas obstruções são parciais ou podem ser resolvidas com a descompressão do lúmen. O uso de contraste hidrossolúvel (como o Gastrografin) pode ter papel tanto diagnóstico quanto terapêutico, acelerando a resolução do quadro. A cirurgia (laparotomia ou laparoscopia) é reservada para casos de obstrução completa persistente ou quando há suspeita de sofrimento de alça (estrangulamento), que pode levar à necrose e perfuração.
A conduta inicial para obstrução intestinal mecânica de delgado por bridas, na ausência de sinais de estrangulamento (como febre, leucocitose, dor persistente ou sinais de irritação peritoneal), é o tratamento conservador. Este inclui jejum oral, descompressão gástrica com sonda nasogástrica (SNG), reposição hidroeletrolítica vigorosa e monitorização clínica rigorosa. Cerca de 70% a 80% dos casos resolvem-se nas primeiras 48 a 72 horas com essa abordagem.
A falha é indicada pela persistência da dor abdominal, aparecimento de sinais de irritação peritoneal (defesa, descompressão dolorosa), instabilidade hemodinâmica, febre, leucocitose com desvio à esquerda ou acidose metabólica. Além disso, se não houver progressão de gases ou fezes e a drenagem pela SNG permanecer elevada após 48-72 horas, a intervenção cirúrgica deve ser considerada.
A colonoscopia é útil em obstruções do cólon (intestino grosso), como no volvo de sigmoide ou tumores colorretais. No caso clínico apresentado, a história de apendicite supurada e os sintomas sugerem fortemente uma obstrução de intestino delgado (provocada por bridas). A colonoscopia não acessa o delgado de forma eficaz para descompressão e o preparo intestinal é contraindicado em casos de obstrução mecânica suspeita.
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