IOG - Instituto de Olhos de Goiânia — Prova 2024
Paciente feminina, 44 anos, deu entrada no pronto socorro com história de vômitos recorrentes, distensão abdominal acompanhada de dor difusa há três dias. Nega comorbidades e tem antecedente cirúrgico de duas cesáreas. Ao exame físico, pulso 120 bpm, pressão arterial 130 mmHg × 90 mmHg, abdome distendido, hipertimpânico, descompressão brusca positiva. Realizou Raio X de abdome agudo que mostrou empilhamento de moedas e níveis. Analise as afirmativas abaixo e dê valores Verdadeiro (V) ou Falso (F):( ) A primeira hipótese diagnóstica é abdome agudo obstrutivo por brida.( ) A primeira hipótese diagnóstica é tumor obstrutivo de cólon.( ) O próximo exame imaginológico que pode ser realizado para elucidação do caso é tomografia computadorizada de abdome total com contraste venoso e oral.( ) Não se deve realizar nenhum outro exame de imagem e, sim, indicar laparotomia exploradora.( ) Deve-se tentar tratamento clínico nesta paciente a princípio. Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta de cima para baixo:
Obstrução intestinal pós-cirurgia (cesárea) → brida é a 1ª hipótese. TC confirma e guia conduta. Tentar tratamento clínico se não houver isquemia.
Em pacientes com antecedente de cirurgia abdominal (como cesárea) e quadro de obstrução intestinal, a brida é a causa mais comum. A tomografia computadorizada é o exame de escolha para confirmar a obstrução, identificar a causa e avaliar a presença de complicações, orientando a decisão entre tratamento clínico e cirúrgico.
O abdome agudo obstrutivo é uma condição comum e potencialmente grave, caracterizada pela interrupção do trânsito intestinal. As bridas (aderências) são a causa mais frequente de obstrução do intestino delgado, especialmente em pacientes com história de cirurgia abdominal prévia, como cesáreas. A fisiopatologia envolve a formação de tecido cicatricial que pode constringir ou torcer alças intestinais, levando à oclusão. O reconhecimento precoce é fundamental para evitar complicações como isquemia e necrose intestinal. O diagnóstico baseia-se na tríade clínica de dor abdominal, vômitos e distensão abdominal, associada a alterações no hábito intestinal. O exame físico pode revelar abdome distendido, hipertimpânico e, em casos de complicação, sinais de irritação peritoneal. O Raio X de abdome agudo é o exame inicial, mostrando distensão de alças e níveis hidroaéreos. A tomografia computadorizada (TC) de abdome total com contraste é o padrão-ouro para confirmar a obstrução, determinar sua causa, localização e avaliar a presença de complicações como isquemia ou perfuração. O manejo da obstrução intestinal por brida geralmente começa com tratamento clínico conservador (jejum, hidratação, descompressão com sonda nasogástrica). A cirurgia (laparotomia exploradora ou videolaparoscopia) é indicada em casos de falha do tratamento conservador, sinais de isquemia ou estrangulamento intestinal, ou quando a causa da obstrução não é uma brida simples. Para residentes, é crucial saber diferenciar os casos que necessitam de intervenção cirúrgica imediata daqueles que podem ser manejados clinicamente, minimizando riscos e melhorando os desfechos.
No Raio X de abdome agudo, os achados clássicos de obstrução intestinal incluem distensão de alças intestinais (especialmente delgado), empilhamento de moedas (válvulas coniventes) e múltiplos níveis hidroaéreos em escada. A presença de ar no cólon pode sugerir obstrução parcial.
A TC é indicada para confirmar o diagnóstico de obstrução, identificar o local e a causa (ex: brida, tumor), avaliar a presença de complicações como isquemia, perfuração ou líquido livre, e auxiliar na decisão entre tratamento clínico e cirúrgico.
A conduta inicial geralmente é conservadora, incluindo jejum, hidratação venosa, sonda nasogástrica para descompressão, e analgesia. A maioria dos casos de obstrução por brida resolve-se espontaneamente com essa abordagem, sendo a cirurgia reservada para falha do tratamento clínico ou sinais de complicação.
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