HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2025
Menino, de 4 anos de idade, é levado ao pronto-socorro por dor abdominal intensa e difusa acompanhada de vômitos biliosos, distensão abdominal progressiva e ausência de evacuações há 2 dias. A mãe relata que a criança tem comido pouco e está bastante irritada. Ao exame físico, observa-se desidratação moderada, distensão abdominal significativa, com presença de massa palpável em flanco direito, ruídos hidroaéreos aumentados e sinais de irritação peritoneal. A história familiar revela que a criança reside em uma área rural, com condições precárias de saneamento básico. Realizou uma radiografia de abdome em posição supina com contraste, que evidenciou múltiplas alças intestinais dilatadas com níveis hidroaéreos. Além disso, observa-se a presença de uma imagem tubular alongada e de densidade aumentada na região do intestino delgado, conforme apresentado na figura a seguir: Com base neste caso, assinale a alternativa correta:\\n\\n
Obstrução por Ascaris → Hidratação + SNG + Óleo Mineral; Vermífugos apenas após desobstrução.
O manejo inicial do 'bolo de áscaris' é conservador. O uso precoce de anti-helmínticos pode causar paralisia espástica dos vermes e piorar a obstrução ou causar perfuração.
A ascaridíase é uma das parasitoses mais comuns em áreas com saneamento precário. Em crianças, a carga parasitária elevada pode levar à formação do 'bolo de áscaris', resultando em abdome agudo obstrutivo. O diagnóstico é clínico-radiológico, onde a imagem tubular alongada ('miolo de pão' ou 'cordas') na radiografia é patognomônica. O tratamento preconizado é inicialmente clínico: jejum, hidratação venosa, descompressão gástrica com sonda e administração de óleo mineral (50-100ml/dia). A piperazina pode ser usada por causar paralisia flácida dos vermes, facilitando a eliminação, mas o uso de anti-helmínticos ovicidas/larvicidas deve ser postergado até a resolução do quadro obstrutivo para garantir a segurança do paciente.
O óleo mineral atua como um lubrificante e laxante osmótico, ajudando a 'deslizar' e desmembrar o bolo de vermes impactado na luz intestinal. É administrado via oral ou por sonda nasogástrica após a estabilização inicial, sendo fundamental para o sucesso do tratamento conservador em até 80-90% dos casos.
Drogas como o albendazol ou mebendazol podem causar a morte maciça ou a agitação dos helmintos. Em um lúmen já obstruído, isso pode levar ao aumento do volume do bolo, liberação de toxinas e risco iminente de perfuração intestinal ou necrose de alça. Eles só devem ser usados quando o trânsito intestinal for restabelecido.
A intervenção cirúrgica (laparotomia) é reservada para casos de falha do tratamento conservador (geralmente após 24-48h), sinais de irritação peritoneal (sugerindo perfuração), volvo intestinal ou necrose de alça detectada por exames de imagem ou piora clínica.
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