SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2026
Uma paciente de 72 anos de idade compareceu ao atendimento apresentando dor abdominal em cólica há 24 horas, vômitos e parada de eliminação de flatos. Ao exame, apresentou FC = 98 bpm, FR = 20 irpm e saturação = 95%. A tomografia mostrou espessamento irregular de sigmoide com dilatação colônica a montante e ausência de gás retal. Diante do caso clínico apresentado, qual é a melhor conduta a ser adotada pelo profissional?
Obstrução colônica por neoplasia → Estabilização + Colectomia segmentar oncológica (com ou sem anastomose).
Em pacientes com obstrução intestinal por câncer de cólon esquerdo, a ressecção do segmento afetado seguindo princípios oncológicos é a conduta definitiva, adaptando a reconstrução ao estado clínico.
A obstrução intestinal por câncer colorretal é uma emergência cirúrgica comum, ocorrendo em até 15-20% dos pacientes com neoplasia de cólon. O sigmoide é o local mais frequente de obstrução. O manejo inicial foca na ressuscitação volêmica e descompressão gástrica. A tomografia de abdome é o exame padrão-ouro para localizar a obstrução e sugerir a etiologia. A decisão cirúrgica deve equilibrar a necessidade de uma ressecção oncológica (com linfadenectomia) e a segurança do paciente, considerando que a obstrução intestinal aumenta significativamente a morbidade pós-operatória.
A cirurgia de Hartmann (colectomia segmentar com colostomia terminal e fechamento do coto retal) é indicada em situações de urgência onde há instabilidade hemodinâmica, peritonite purulenta ou fecal, ou quando as condições locais do tecido não permitem uma anastomose segura. Em pacientes idosos com múltiplas comorbidades e obstrução aguda, ela minimiza o risco de deiscência de anastomose, que seria catastrófica no cenário de urgência.
Tradicionalmente, evitava-se a anastomose primária no cólon esquerdo obstruído devido ao risco de deiscência. Contudo, evidências atuais mostram que em pacientes estáveis, sem peritonite e com boa vascularização, a colectomia segmentar com anastomose primária (com ou sem lavagem anterógrada do cólon) é segura e evita uma segunda cirurgia para reconstrução do trânsito.
O uso de stents metálicos autoexpansíveis pode ser considerado como 'ponte para cirurgia' em casos selecionados, permitindo a descompressão do cólon, preparo anterógrado e realização de cirurgia eletiva em um tempo único. Também é uma opção paliativa em pacientes com doença metastática avançada. No entanto, requer expertise técnica e não substitui a cirurgia oncológica em pacientes candidatos à ressecção curativa.
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