Obstrução Intestinal por Bridas: Conduta Inicial

HMMG - Hospital e Maternidade Municipal de Guarulhos (SP) — Prova 2022

Enunciado

Paciente de 32 anos procura atendimento queixando-se de vômitos de início há 5 dias, associado a dor tipo cólica, distensão abdominal, redução do número de evacuações e de eliminação de flatos. Nega febre. Nega trauma. Nega perda ponderal. Nega diarreia. Ao exame físico: regular estado geral, corado, desidratado, levemente dispneico, anictérico, acianótico, afebril. Abdome com cicatriz mediana xifo-púbica prévia, ruídos reduzidos, distendido, doloroso a palpação difusa, sem sinais de irritação peritoneal. Toque retal com ampola vazia. É realizado a rotina radiológica de abdome agudo. O tratamento não cirúrgico inicial para este caso é:

Alternativas

  1. A) Descompressão do trato digestivo com sonda nasogástrica / enteroclismas, hidratação e correção dos distúrbios hidroeletrolíticos e antibioticoterapia se sintomas de infecção/translocação bacteriana.
  2. B) Antibioticoterapia de largo espectro isolada.
  3. C) Paracentese de alívio.
  4. D) O tratamento clínico é contraindicado nestes casos devido ao pneumoperitônio.

Pérola Clínica

Obstrução por bridas sem sofrimento de alça → SNG + Hidratação + Correção DHE.

Resumo-Chave

O tratamento inicial da obstrução intestinal mecânica simples por bridas foca na descompressão gástrica e estabilização metabólica, evitando cirurgia imediata sem sinais de estrangulamento.

Contexto Educacional

A obstrução intestinal é uma causa frequente de abdome agudo, sendo as bridas (aderências) a causa mais comum no intestino delgado em pacientes com cirurgia prévia. O quadro clínico clássico envolve dor em cólica, vômitos, distensão e parada de eliminação de gases e fezes. O exame físico deve buscar cicatrizes cirúrgicas e hérnias. A conduta inicial é baseada no suporte clínico, visando a descompressão e estabilização metabólica. A monitorização rigorosa é crucial para detectar precocemente sinais de isquemia intestinal, que transformam o caso em uma emergência cirúrgica absoluta.

Perguntas Frequentes

Quando indicar o tratamento conservador na obstrução intestinal?

O tratamento conservador é indicado principalmente em casos de obstrução intestinal parcial ou obstrução completa por bridas/aderências em pacientes sem sinais de sofrimento de alça (estrangulamento), como febre, leucocitose importante, acidose ou irritação peritoneal. A base do tratamento inclui jejum, descompressão com sonda nasogástrica, hidratação venosa vigorosa e correção de distúrbios hidroeletrolíticos. Cerca de 60-80% dos casos de bridas resolvem-se com essa abordagem em 48 a 72 horas.

Qual o papel da sonda nasogástrica no abdome agudo obstrutivo?

A sonda nasogástrica (SNG) tem papel fundamental na descompressão do trato gastrointestinal superior. Ela reduz a distensão abdominal, diminui o risco de broncoaspiração de conteúdo entérico e alivia os vômitos. Além disso, a redução da pressão intraluminal pode melhorar a perfusão da parede intestinal e facilitar o retorno do peristaltismo. É uma medida de suporte essencial enquanto se aguarda a resolução da obstrução ou se prepara o paciente para cirurgia definitiva.

Quais sinais indicam falha do tratamento clínico?

A falha do tratamento clínico é sugerida pela persistência da dor abdominal, ausência de eliminação de flatos ou fezes após 48-72 horas, ou o surgimento de sinais de alça fechada e sofrimento isquêmico. Sinais de alerta incluem taquicardia persistente, febre, leucocitose progressiva, dor à descompressão (irritação peritoneal) e acidose metabólica. Nesses casos, a intervenção cirúrgica (laparotomia ou laparoscopia) deve ser realizada prontamente para evitar necrose e perfuração.

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