CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2015
Paciente do sexo masculino, 28 anos, deu entrada no pronto atendimento apresentando quadro de dor abdominal tipo cólica, difusa, progressiva há cerca de 5 dias, associado à parada de eliminação de gases e fezes. Nega febre. Refere náuseas e vômitos amarelados, de odor fétido. Encontra-se em regular estado geral, taquicárdico, discretamente hipotenso, dispneico e desidratado. Refere não urinar há cerca de 8 horas. Seu abdome é bastante distendido, difusamente doloroso à palpação, sem irritação peritoneal. Ruídos hidroaéreos em estalido metálico. O toque retal evidenciou massa estenosante há cerca de 10 cm acima do rebordo anal. Referente à avaliação e proposta terapêutica deste paciente, assinale a alternativa INCORRETA:
Obstrução intestinal com irritação peritoneal ausente NÃO descarta cirurgia urgente; pneumoperitôneo é sinal de perfuração, não esperado em obstrução simples.
Em um quadro de obstrução intestinal, a ausência de irritação peritoneal não exclui a necessidade de tratamento cirúrgico urgente, especialmente se houver sinais de sofrimento do paciente. Pneumoperitôneo é um achado de perfuração, não de obstrução simples, e acidose metabólica e elevação de escórias nitrogenadas são esperadas em casos de desidratação e isquemia.
A obstrução intestinal mecânica é uma condição comum de abdome agudo, caracterizada pela interrupção do trânsito intestinal devido a uma barreira física. As causas podem ser diversas, incluindo aderências pós-cirúrgicas, hérnias, tumores (como a massa estenosante retal descrita), volvo e intussuscepção. A apresentação clínica típica envolve dor abdominal tipo cólica, distensão, náuseas, vômitos e parada de eliminação de gases e fezes. A avaliação inicial de um paciente com obstrução intestinal deve focar na estabilização hemodinâmica, correção de distúrbios hidroeletrolíticos e identificação de sinais de gravidade, como isquemia ou perfuração. Achados como taquicardia, hipotensão, desidratação e acidose metabólica são esperados em casos avançados. Ruídos hidroaéreos em estalido metálico são característicos. A ausência de irritação peritoneal não exclui a necessidade de cirurgia, pois a isquemia pode progredir para necrose sem peritonite franca. Pneumoperitôneo é um sinal de perfuração, não de obstrução simples. O tratamento da obstrução intestinal pode ser conservador em casos selecionados (aderências, sem sinais de isquemia) ou cirúrgico. A indicação cirúrgica é urgente na presença de sinais de sofrimento intestinal (isquemia, necrose) ou falha do tratamento conservador. Para obstruções por massa estenosante retal, opções como colostomia em alça (derivativa) ou colostomia terminal (Hartmann) são consideradas para descompressão e, se possível, ressecção do tumor. A possibilidade de tratamento curativo definitivo depende da extensão da doença neoplásica.
Sinais como taquicardia, hipotensão, dispneia, desidratação grave, dor abdominal intensa e progressiva, e distensão abdominal com ruídos hidroaéreos alterados (estalido metálico) sugerem a necessidade de intervenção cirúrgica urgente, mesmo sem irritação peritoneal evidente.
O pneumoperitôneo indica a presença de ar livre na cavidade abdominal, sendo um sinal clássico de perfuração de víscera oca. Em uma obstrução intestinal simples, sem perfuração, o ar fica contido dentro do lúmen intestinal.
As opções incluem colostomia em alça (derivativa, para descompressão imediata) ou colostomia terminal (Hartmann, com ressecção do segmento afetado e fechamento do coto distal), dependendo da condição do paciente e da viabilidade de ressecção primária.
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