Obstrução Intestinal: Manejo Inicial e Diagnóstico Diferencial

PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2024

Enunciado

Você é chamado ao pronto-socorro para atender uma mulher de 54 anos com queixa de dor abdominal com náuseas e vômitos. No prontuário consta uma frequência cardíaca de 112 bpm, uma pressão arterial de 154 x 96 mmHg e uma temperatura de 36,5 °C. No exame, a paciente apresenta leve desconforto e distensão abdominal. Relata que a dor começou há 48 horas, é intermitente e em cólica e está piorando. Afirma que está vomitando há cerca de 24 horas e não consegue reter nenhum líquido. Ela não se lembra da última vez que eliminou gases ou evacuou. Está no pronto-socorro há cerca de meia hora, seus exames laboratoriais ainda estão pendentes e nenhum estudo de imagem foi feito. Seu histórico médico anterior apresenta hipertensão, hiperlipidemia, doença renal crônica e diabetes tipo 2 controlada por dieta. Foi submetida a duas cesarianas há 20 anos, uma colecistectomia laparoscópica e uma sigmoidectomia aberta para diverticulite complicada. A paciente nega já ter tido sintomas como esses antes. Após a reposição volêmica com 2 litros de cristaloide, a frequência cardíaca cai para 90 bpm e a pressão arterial permanece normal. Qual é o passo imediato no manejo desta paciente?

Alternativas

  1. A) Encaminhar imediatamente ao Centro Cirúrgico para uma laparoscopia diagnóstica com possível laparotomia exploradora;
  2. B) Admitir na enfermaria cirúrgica para continuar com hidratação intravenosa e realizar exame físico seriado a cada 4 horas;
  3. C) Passagem de sonda nasogástrica aberta e realizar radiografia simples de abdome;
  4. D) Tomografia computadorizada imediata do abdome e pelve com contraste VO e IV.

Pérola Clínica

Obstrução intestinal + vômitos → SNG aberta + Hidratação + Radiografia simples (Rotina de Abdome Agudo).

Resumo-Chave

O manejo inicial da obstrução intestinal foca na estabilização hemodinâmica, descompressão gástrica para evitar aspiração e exames de imagem básicos para confirmar o diagnóstico e nível da obstrução.

Contexto Educacional

A obstrução intestinal mecânica é uma das causas mais frequentes de abdome agudo cirúrgico. O quadro clínico é caracterizado por dor abdominal em cólica, distensão, náuseas, vômitos e parada de eliminação de flatos e fezes. Em pacientes com cicatrizes cirúrgicas prévias, a principal hipótese diagnóstica são as bridas. O exame físico deve sempre incluir a busca por hérnias inguinais e incisionais encarceradas. O manejo inicial deve ser agressivo na reposição volêmica, pois esses pacientes perdem grande quantidade de líquidos para o terceiro espaço e pelos vômitos. A descompressão gástrica com SNG e a realização da rotina de abdome agudo (RX de tórax em pé, RX de abdome em pé e deitado) são os passos imediatos. A TC de abdome com contraste é o padrão-ouro para definir a causa e identificar sinais de sofrimento de alça (estrangulamento), mas não deve retardar as medidas de suporte básico.

Perguntas Frequentes

Qual a principal causa de obstrução de intestino delgado?

As bridas ou aderências decorrentes de cirurgias abdominais prévias são a causa mais comum, respondendo por cerca de 60-75% dos casos. Outras causas importantes incluem hérnias da parede abdominal e neoplasias.

Por que a sonda nasogástrica é prioritária no manejo?

A passagem da sonda nasogástrica (SNG) aberta tem como objetivos principais a descompressão do trato gastrointestinal superior, o alívio do desconforto abdominal e dos vômitos, e, crucialmente, a prevenção da pneumonia por aspiração (síndrome de Mendelson) durante o manejo inicial ou indução anestésica.

Quais achados são esperados na radiografia de abdome agudo?

Na obstrução de delgado, observa-se distensão de alças centrais, presença de níveis hidroaéreos (na incidência em pé) e o sinal do 'empilhamento de moedas' (vávulas coniventes). A ausência de gás no reto sugere obstrução completa.

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