Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2026
Homem de 39 anos procurou o serviço médico em duas ocasiões na mesma semana por parada de eliminação de gases e fezes, distensão abdominal importante, náuseas e vômitos biliosos há 4 dias. No segundo atendimento, refere piora da dor nas últimas 12 horas. Ao exame físico, observa-se cicatriz mediana ampla (cirurgia prévia por trauma abdominal). No primeiro atendimento, os ruídos hidroaéreos estavam aumentados, mas agora se encontram diminuídos. A radiografia de abdome em posição supina mostra dilatação importante de alças de intestino delgado e ausência de gás nas porções distais do cólon e reto (imagem demonstrada a seguir): Esse quadro aponta para o seguinte diagnóstico:
Vômitos biliosos + Distensão + Cicatriz prévia + Níveis hidroaéreos → Obstrução Intestinal Alta.
A obstrução mecânica do intestino delgado é frequentemente causada por bridas pós-cirúrgicas. A ausência de gás distal e dilatação de alças delgadas confirmam o diagnóstico.
O abdome agudo obstrutivo é uma emergência cirúrgica onde a interrupção do fluxo luminal leva a distensão proximal, edema de parede e risco de isquemia. No caso de obstrução alta (intestino delgado), a tríade clássica consiste em dor abdominal em cólica, vômitos precoces (frequentemente biliosos) e parada de eliminação de flatos e fezes. A presença de cicatrizes cirúrgicas medianas é um preditor clássico de bridas. O exame radiográfico em decúbito e ortostase é fundamental, demonstrando o sinal do 'empilhamento de moedas' (pregas coniventes que atravessam toda a luz da alça) e a ausência de ar no reto, indicando obstrução completa. O manejo inicial foca na descompressão gástrica com sonda nasogástrica, reposição volêmica vigorosa para compensar o sequestro de líquidos para o terceiro espaço e correção de distúrbios eletrolíticos, monitorando sinais de sofrimento de alça.
Em adultos com histórico de cirurgia abdominal prévia, as aderências (bridas) são responsáveis por cerca de 60-75% dos casos de obstrução do intestino delgado. Outras causas incluem hérnias encarceradas e neoplasias.
Na obstrução mecânica, há níveis hidroaéreos escalonados, ruídos hidroaéreos aumentados (inicialmente) e ausência de gás distal. No íleo paralítico, há dilatação global (delgado e cólon), ruídos hidroaéreos ausentes e gás presente em todo o trato digestivo.
A cirurgia é indicada na falha do tratamento conservador (após 48-72h) ou na presença de sinais de estrangulamento e isquemia, como febre, leucocitose, acidose metabólica, dor contínua e sinais de irritação peritoneal ao exame físico.
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