Propedêutica Abdominal: Obstrução Mecânica vs Íleo Paralítico

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Joaquim, 54 anos, procura a Unidade de Pronto Atendimento com queixa de dor abdominal difusa em cólica e parada de eliminação de flatos e fezes há 48 horas. Ao exame físico, apresenta-se desidratado, com abdome globalmente distendido e timpanismo à percussão. Com base na propedêutica abdominal e no raciocínio clínico para a avaliação deste paciente, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) O sinal de Murphy, caracterizado pela interrupção súbita da inspiração profunda durante a palpação do ponto cístico, é um achado altamente sensível para diverticulite aguda em pacientes com dor em andar inferior do abdome.
  2. B) A ausculta de ruídos hidroaéreos aumentados, com timbre metálico e ocorrendo em salvas, é característica da fase de luta na obstrução mecânica, enquanto o íleo paralítico cursa com redução ou ausência desses ruídos.
  3. C) O sinal de Blumberg, definido como dor à descompressão súbita em qualquer ponto do abdome, é um sinal patognomônico de apendicite aguda e dispensa a realização de exames de imagem para confirmação diagnóstica.
  4. D) Na propedêutica abdominal, a sequência correta do exame físico inicia-se pela inspeção, seguida da palpação superficial e profunda, percussão e, por último, a ausculta, para evitar a indução de ruídos artificiais.

Pérola Clínica

Obstrução mecânica → RHA metálicos/em salvas; Íleo paralítico → RHA reduzidos/ausentes.

Resumo-Chave

Na obstrução mecânica, o intestino aumenta o peristaltismo para vencer o obstáculo (fase de luta), gerando timbres metálicos. No íleo funcional, a motilidade é inibida globalmente.

Contexto Educacional

A semiologia abdominal é o pilar do diagnóstico das síndromes de abdome agudo. A distinção entre processos mecânicos e funcionais (íleo paralítico) baseia-se fortemente na ausculta e percussão. Enquanto a obstrução mecânica apresenta uma fase inicial de hiperperistaltismo, o íleo paralítico, comum no pós-operatório ou em distúrbios hidroeletrolíticos, manifesta-se por silêncio abdominal ou ruídos muito hipoativos. Além disso, o domínio dos sinais clássicos como Murphy (colecistite) e Blumberg (peritonite) permite ao médico direcionar exames complementares de forma eficiente. É fundamental recordar que a propedêutica deve ser sistemática para evitar falsos achados, especialmente em pacientes idosos ou desidratados, onde a apresentação clínica pode ser atípica.

Perguntas Frequentes

Qual a sequência correta do exame físico abdominal?

A sequência correta é inspeção, ausculta, percussão e palpação. Diferente de outros sistemas, a ausculta deve ser realizada antes da percussão e palpação para evitar que a manipulação física das alças intestinais altere a frequência e o timbre dos ruídos hidroaéreos, o que poderia levar a uma interpretação errônea da atividade peristáltica do paciente.

O que caracteriza a fase de luta na obstrução intestinal?

A fase de luta ocorre na obstrução intestinal mecânica inicial, onde o segmento proximal ao obstáculo aumenta vigorosamente as contrações peristálticas para tentar propelir o conteúdo luminal. Clinicamente, isso se traduz em ruídos hidroaéreos aumentados, frequentemente com timbre metálico e ocorrendo em salvas, muitas vezes acompanhados de dor em cólica intensa.

O sinal de Blumberg é exclusivo da apendicite?

Não. Embora o sinal de Blumberg (dor à descompressão súbita no ponto de McBurney) seja clássico da apendicite, a dor à descompressão súbita em qualquer ponto do abdome indica irritação peritoneal (peritonite) de qualquer etiologia, como perfuração de víscera oca, colecistite complicada ou isquemia intestinal, não sendo patognomônico de uma única doença.

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