SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2026
Mulher, 72 anos, com antecedente de histerectomia abdominal há 20 anos, procura o prontosocorro com dor abdominal difusa de início progressivo, distensão abdominal, náuseas e vômitos biliosos há 48 horas, além de parada na eliminação de gases e fezes. Ao exame físico: abdome distendido, timpanismo difuso à percussão e ruídos hidroaéreos em aumento. Exames laboratoriais iniciais mostram leucocitose discreta, sem acidose metabólica. Nesse contexto, é correto afirmar que:
Distensão + RHA ↑ + Timpanismo → Obstrução intestinal mecânica.
A obstrução mecânica cursa inicialmente com aumento do peristaltismo (luta) para vencer o obstáculo, manifestando-se como RHA aumentados ou metálicos, diferindo do íleo paralítico.
A obstrução intestinal mecânica é uma emergência cirúrgica comum, caracterizada pela interrupção física do fluxo luminal. A fisiopatologia envolve o acúmulo de gás e secreções proximais ao ponto de obstrução, levando à distensão abdominal e vômitos. O aumento dos ruídos hidroaéreos é um sinal clássico da fase de 'luta' do intestino contra a obstrução. O manejo inicial foca na descompressão gástrica com sonda nasogástrica, reposição volêmica e correção de distúrbios hidroeletrolíticos. A decisão cirúrgica depende da etiologia e da presença de sinais de estrangulamento (isquemia), como febre, taquicardia e acidose metabólica.
Em adultos com histórico de cirurgia abdominal prévia, as bridas (aderências) são a causa mais comum de obstrução do intestino delgado, respondendo por cerca de 60-70% dos casos. Em pacientes sem cirurgias prévias, as hérnias de parede abdominal ganham importância. Já no intestino grosso, o câncer colorretal é a etiologia predominante. O reconhecimento da causa é fundamental para definir se o manejo inicial será conservador (como nas bridas parciais) ou cirúrgico imediato (como em hérnias estranguladas ou volvos).
A diferenciação baseia-se principalmente na ausculta abdominal e na cronologia dos sintomas. Na obstrução mecânica, há um obstáculo físico, e o intestino tenta vencê-lo aumentando o peristaltismo, o que gera ruídos hidroaéreos (RHA) aumentados, muitas vezes com timbre metálico. No íleo paralítico (funcional), há uma cessação da motilidade intestinal por distúrbios metabólicos, inflamatórios ou pós-operatórios, resultando em RHA reduzidos ou ausentes desde o início do quadro.
A radiografia simples de abdome (em pé e deitado) e de tórax é o exame inicial de escolha pela rapidez e disponibilidade. Ela permite identificar níveis hidroaéreos, distensão de alças e a presença de gás no reto (sugerindo obstrução parcial ou íleo). No entanto, a tomografia computadorizada (TC) de abdome com contraste é superior para identificar o ponto de transição, a causa específica (como tumores ou intussuscepção) e sinais de sofrimento de alça (isquemia), sendo essencial no planejamento cirúrgico.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo