PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2024
Uma mulher de 68 anos com história de câncer colorretal pouco diferenciado, previamente submetida à hemicolectomia direita, chega ao pronto-socorro com queixas de dor e distensão abdominal, náuseas, vômitos e anorexia nas últimas 2 semanas. Ela relata uma perda de peso de aproximadamente 10 quilos com fadiga associada, nos últimos 6 meses. A tomografia computadorizada demonstra alças de intestino delgado dilatadas e cheias de líquido, com níveis hidroaéreos, numerosas massas peritoneais relacionadas a carcinomatose peritoneal e uma nova massa no lobo inferior do pulmão direito da paciente. Você admite a paciente, inicia a administração de fluidos intravenosos e coloca uma Sonda Nasogástrica (SNG) para descompressão abdominal. Ela não nomeou ninguém para tratar de seus cuidados de saúde. Seu marido morreu há alguns anos, mas ela tem uma filha adulta que mora fora do país. Apesar das 48 horas de descompressão e repouso intestinal, a paciente permanece obstipada com saída de grandes quantidades de bile pela sonda SNG. Qual é o próximo passo no manejo deste paciente?
Obstrução intestinal maligna em câncer avançado com carcinomatose → focar em objetivos de tratamento e opções paliativas.
Em pacientes com câncer avançado e carcinomatose peritoneal que desenvolvem obstrução intestinal e não respondem à descompressão inicial, a abordagem cirúrgica agressiva geralmente não melhora a qualidade de vida e pode aumentar a morbidade. O foco deve ser na discussão dos objetivos do tratamento com a paciente e na exploração de opções paliativas para controle de sintomas e conforto.
A obstrução intestinal maligna (OIM) é uma complicação frequente em pacientes com câncer avançado, especialmente aqueles com carcinomatose peritoneal, como no caso de câncer colorretal metastático. Caracteriza-se por dor abdominal, náuseas, vômitos, distensão e constipação. O manejo da OIM em pacientes com doença avançada é um desafio complexo que exige uma abordagem individualizada e centrada no paciente, com foco na qualidade de vida. A avaliação inicial inclui a descompressão com Sonda Nasogástrica (SNG) e hidratação. No entanto, quando a descompressão não é eficaz e o paciente apresenta doença metastática disseminada, como carcinomatose peritoneal e metástase pulmonar, o prognóstico é geralmente reservado. Nesses cenários, a cirurgia agressiva (laparotomia com ressecção intestinal) raramente oferece benefícios significativos em termos de sobrevida e pode aumentar a morbidade e reduzir a qualidade de vida restante do paciente. O próximo passo mais apropriado é iniciar uma discussão franca e empática com a paciente sobre os objetivos do tratamento. Isso envolve explorar seus valores, preferências e o que ela considera mais importante (por exemplo, controle de sintomas, conforto, tempo em casa). Delinear as opções paliativas, que visam o alívio dos sintomas e a melhoria da qualidade de vida, é fundamental. Envolver a filha, mesmo à distância, pode ser importante para suporte, mas a decisão primária deve ser da paciente, se ela for capaz de tomá-la.
Cuidados paliativos devem ser considerados em obstrução intestinal maligna quando a doença de base é avançada, o prognóstico é reservado, e a cirurgia não oferece benefício significativo em termos de sobrevida ou qualidade de vida, ou quando o paciente não é candidato cirúrgico.
As opções de manejo paliativo incluem descompressão com SNG, uso de medicamentos para controle de náuseas, vômitos e dor (antieméticos, opioides, anticolinérgicos, octreotide), e, em casos selecionados, colocação de stents ou cirurgia paliativa para desvio ou ressecção de segmento obstrutivo, sempre visando o conforto.
A comunicação aberta e honesta sobre os objetivos do tratamento é crucial para alinhar as expectativas do paciente e da família com a realidade da doença. Permite que o paciente participe ativamente das decisões, priorize a qualidade de vida e receba o suporte adequado, incluindo cuidados paliativos, evitando tratamentos fúteis.
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