Obstrução Intestinal Maligna: Manejo Paliativo com Corticoides

HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2024

Enunciado

Paciente de 73 anos está internada por quadro de distensão abdominal, inapetência e parada de eliminação de gases e fezes há 5 dias. Antecedente de adenocarcinoma de ovário com carcinomatose e omental cake, além de metástases hepáticas. Tomografia revela distensão difusa de delgado com múltiplos pontos de suboclusão. Realizadas analgesia, hidratação e passagem de sonda nasogástrica. Dentre os medicamentos abaixo, o mais adequado nesse momento para o tratamento da afecção de urgência é:

Alternativas

  1. A) Bromoprida.
  2. B) Ondasentrona.
  3. C) Dimenidrato.
  4. D) Corticoide.

Pérola Clínica

Obstrução intestinal maligna em paciente paliativo: Corticoide (Dexametasona) para reduzir edema e inflamação.

Resumo-Chave

Em pacientes com obstrução intestinal maligna e doença avançada, especialmente em contexto de carcinomatose, o tratamento visa o controle de sintomas. Corticoides, como a Dexametasona, são a medicação mais adequada para reduzir o edema e a inflamação na parede intestinal e no peritônio, aliviando a obstrução e melhorando os sintomas como náuseas, vômitos e dor, sem o risco de agravar a obstrução como os procinéticos.

Contexto Educacional

A obstrução intestinal maligna (OIM) é uma complicação comum e debilitante em pacientes com câncer avançado, especialmente aqueles com carcinomatose peritoneal, como no caso de adenocarcinoma de ovário. Caracteriza-se por distensão abdominal, inapetência, náuseas, vômitos e parada de eliminação de gases e fezes. O manejo da OIM em pacientes em cuidados paliativos visa principalmente o controle de sintomas e a melhoria da qualidade de vida, uma vez que a cura não é mais o objetivo. Nesse cenário, a escolha da medicação é crucial. Os corticoides, notadamente a Dexametasona, são a pedra angular do tratamento farmacológico. Eles atuam reduzindo o edema e a inflamação na parede intestinal e no peritônio, que são os principais mecanismos da obstrução em muitos casos de carcinomatose, promovendo o alívio da dor, náuseas e vômitos. A dose e a via de administração devem ser individualizadas. É fundamental evitar medicamentos que possam piorar o quadro. Procinéticos, como a bromoprida, são contraindicados, pois podem aumentar a motilidade de um segmento obstruído, causando mais dor e desconforto. Outras medidas de suporte incluem analgesia potente (opioides), hidratação adequada e, se necessário, descompressão com sonda nasogástrica. O conhecimento aprofundado do manejo da OIM é essencial para residentes que atuam em oncologia e cuidados paliativos, garantindo o melhor cuidado possível para pacientes em fases avançadas da doença.

Perguntas Frequentes

Qual o papel dos corticoides no tratamento da obstrução intestinal maligna?

Os corticoides, como a Dexametasona, são fundamentais no tratamento da obstrução intestinal maligna. Eles atuam reduzindo o edema e a inflamação na parede intestinal e no peritônio, que são frequentemente causados pela infiltração tumoral ou carcinomatose, aliviando assim a obstrução parcial e os sintomas associados como náuseas e vômitos.

Por que procinéticos como a bromoprida não são indicados na obstrução intestinal maligna?

Procinéticos como a bromoprida são contraindicados na obstrução intestinal maligna. Ao tentar aumentar a motilidade de um intestino mecanicamente obstruído, eles podem exacerbar a dor, o desconforto e o risco de perfuração, piorando o quadro clínico do paciente.

Quais são as principais medidas de suporte para pacientes com obstrução intestinal maligna em cuidados paliativos?

As principais medidas de suporte incluem analgesia adequada, hidratação intravenosa, passagem de sonda nasogástrica para descompressão (se houver vômitos incoercíveis), e o uso de antieméticos e corticoides para controle de náuseas, vômitos e dor. O objetivo é o alívio sintomático e a melhoria da qualidade de vida.

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