Obstrução Intestinal Maligna: Manejo em Cuidados Paliativos

HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2024

Enunciado

Homem de 65 anos de idade, acompanhado no ambulatório de oncologia e cuidados paliativos por quadro de neoplasia de cólon com metástases pulmonares, hepáticas e carcinomatose peritoneal. Já fez três linhas distintas de tratamento oncológico, sem resposta adequada, sendo indicados cuidados paliativos com priorização de medidas de conforto e controle de sintomas há 3 meses. Nessa ocasião, apresentava perda de funcionalidade importante e dores abdominais de difícil controle, especialmente em período pós-prandial. Hoje, o paciente relata que há 7 dias teve parada de evacuações e piora da dor abdominal. Há 4 dias também passou a não eliminar mais flatos e há 3 dias evoluiu com vômitos de difícil controle. Foi admitido na unidade de emergência com este quadro. Ao exame, apresentava-se em regular estado geral, com FC 108 bpm e PA 96x58mmHg. O seu abdome está distendido, com dor à palpação difusa, porém sem dor à descompressão brusca. O toque retal não apresenta fezes ou sangue na ampola retal. Qual medicação NÃO deve ser usada para o controle dos sintomas do paciente neste momento?

Alternativas

  1. A) Morfina
  2. B) Clorpromazina
  3. C) Dexametasona
  4. D) Metoclopramida
  5. E) Octreotide

Pérola Clínica

Obstrução intestinal maligna → NÃO usar metoclopramida (procinético) devido ao risco de piorar dor e distensão em obstrução completa.

Resumo-Chave

Em pacientes com obstrução intestinal maligna completa, procinéticos como a metoclopramida são contraindicados, pois podem aumentar a motilidade intestinal contra uma barreira, piorando a dor e o desconforto. O manejo foca em controle de sintomas com opioides, antieméticos e, por vezes, octreotide ou dexametasona.

Contexto Educacional

A obstrução intestinal maligna (OIM) é uma complicação comum e devastadora em pacientes com câncer avançado, especialmente aqueles com carcinomatose peritoneal, como no caso de neoplasia de cólon metastática. É uma condição que frequentemente marca um estágio avançado da doença e requer uma abordagem focada em cuidados paliativos, visando o controle de sintomas e a qualidade de vida. A fisiopatologia da OIM envolve o crescimento tumoral extrínseco ou intrínseco, levando ao estreitamento ou oclusão do lúmen intestinal. Os sintomas incluem dor abdominal progressiva, distensão, náuseas e vômitos persistentes, e ausência de eliminação de flatos e fezes. O diagnóstico é clínico e pode ser confirmado por exames de imagem, como tomografia computadorizada. O manejo é complexo e individualizado, priorizando o conforto do paciente. No contexto de cuidados paliativos, o tratamento da OIM é predominantemente sintomático. Opioides (ex: morfina) são essenciais para o controle da dor. Antieméticos como clorpromazina ou haloperidol são eficazes para náuseas e vômitos. A dexametasona pode reduzir o edema peritumoral e aliviar a obstrução. O octreotide, um análogo da somatostatina, é útil para diminuir as secreções gastrointestinais, reduzindo o volume dos vômitos. No entanto, procinéticos como a metoclopramida são contraindicados em obstruções completas, pois podem exacerbar a dor e o risco de complicações ao tentar aumentar a motilidade contra uma barreira física. Residentes devem estar cientes dessas nuances para evitar iatrogenias e proporcionar o melhor cuidado paliativo.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas de obstrução intestinal maligna?

Os sinais e sintomas incluem dor abdominal progressiva, distensão abdominal, náuseas e vômitos (inicialmente biliosos, depois fecaloides), parada de eliminação de flatos e fezes, e desidratação.

Por que a metoclopramida é contraindicada na obstrução intestinal maligna?

A metoclopramida é um procinético que aumenta a motilidade gastrointestinal. Em casos de obstrução intestinal maligna completa, seu uso pode levar ao aumento das contrações contra a barreira obstrutiva, intensificando a dor, a distensão e o risco de isquemia ou perfuração.

Quais medicações são indicadas para o controle de sintomas na obstrução intestinal maligna?

Opioides (como morfina) para dor, antieméticos (como clorpromazina, haloperidol, ondansetrona), dexametasona para reduzir o edema peritumoral e octreotide para diminuir as secreções gastrointestinais são comumente utilizados.

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