Obstrução Intestinal por Bridas: Manejo e Conduta Inicial

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2025

Enunciado

Um paciente de 68 anos de idade, com histórico de múltiplas cirurgias abdominais anteriores, apresenta-se no pronto-socorro com queixa de dor abdominal difusa de início há dois dias, acompanhada de distensão abdominal, náuseas e vômitos fecaloides. O exame físico revela um abdômen distendido e timpânico à percussão, com ruídos hidroaéreos metálicos. Não há abaulamentos na região inguinocrural. A radiografia de abdômen em pé mostra níveis hidroaéreos em alças intestinais dilatadas. Com base nos achados clínicos e de imagem, o diagnóstico mais provável e a conduta inicial mais adequada são, respectivamente:

Alternativas

  1. A) Obstrução intestinal por diverticulite; indicada ressecção intestinal e colostomia à Hartmann.
  2. B) Obstrução intestinal por intussuscepção; indicada cirurgia imediata.
  3. C) Obstrução intestinal por bridas; indicada passagem de sonda nasogástrica e observação clínica.
  4. D) Íleo paralítico secundário a distúrbio eletrolítico; indicada reposição hidroeletrolítica.
  5. E) Obstrução intestinal por neoplasia colorretal; indicada quimioterapia imediata.

Pérola Clínica

Obstrução intestinal por bridas (histórico cirúrgico + vômitos fecaloides + RX níveis hidroaéreos) → SNG + hidratação + observação.

Resumo-Chave

A obstrução intestinal em pacientes com histórico de cirurgias abdominais é frequentemente causada por bridas (aderências). A apresentação clássica com vômitos fecaloides e níveis hidroaéreos no RX sugere obstrução. A conduta inicial é conservadora, com descompressão via sonda nasogástrica e hidratação.

Contexto Educacional

A obstrução intestinal é uma condição comum em pacientes com histórico de cirurgias abdominais prévias, sendo as bridas (aderências) a causa mais frequente. As bridas são bandas de tecido fibroso que se formam entre as alças intestinais ou entre as alças e a parede abdominal, podendo estrangular o intestino. A apresentação clínica típica inclui dor abdominal difusa e em cólica, distensão abdominal, náuseas e vômitos (que podem evoluir para fecaloides em obstruções mais distais e prolongadas), e parada de eliminação de gases e fezes. O exame físico revela um abdômen distendido e timpânico, com ruídos hidroaéreos metálicos e aumentados no início, que podem diminuir com a progressão da obstrução. A radiografia simples de abdômen em pé é um exame inicial importante, mostrando alças intestinais dilatadas e níveis hidroaéreos. A tomografia computadorizada de abdômen com contraste é o exame de escolha para confirmar o diagnóstico, identificar a causa e avaliar sinais de complicação, como isquemia ou necrose. A conduta inicial na obstrução intestinal por bridas é geralmente conservadora, a menos que haja sinais de complicação. Inclui a passagem de uma sonda nasogástrica para descompressão, hidratação venosa, correção de distúrbios eletrolíticos e analgesia. A maioria dos casos de obstrução por bridas resolve-se espontaneamente com o tratamento conservador. A cirurgia é reservada para pacientes que não respondem ao tratamento conservador após um período de observação (geralmente 24-48 horas) ou que apresentam sinais de isquemia, perfuração ou peritonite.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos de obstrução intestinal?

Os sinais e sintomas incluem dor abdominal em cólica, distensão abdominal, náuseas e vômitos (que podem ser fecaloides em obstruções baixas), e alteração do hábito intestinal (constipação ou parada de eliminação de gases e fezes).

Por que a sonda nasogástrica é indicada na obstrução intestinal?

A sonda nasogástrica é utilizada para descompressão do trato gastrointestinal, aliviando a distensão, náuseas e vômitos, e prevenindo a aspiração. Isso pode permitir a resolução espontânea da obstrução, especialmente em casos de bridas.

Quando a cirurgia é necessária para obstrução intestinal por bridas?

A cirurgia é indicada se houver sinais de isquemia intestinal (febre, leucocitose, dor localizada, peritonite), falha do tratamento conservador após 24-48 horas, ou se a causa da obstrução não for bridas (ex: hérnia encarcerada, neoplasia).

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo