Obstrução Intestinal em Idosos: Exames de Imagem Essenciais

Santa Casa de Araçatuba (SP) — Prova 2022

Enunciado

Sra. Rosa Maria da Silva, 75 anos, acamada por sequela de AVC, vem ao PS com história de parada de eliminação de gases e fezes há 7 dias associada a vômitos. Nega febre. Ao exame apresenta-se em REG, desidratada +++/IV, descorada +/IV, afebril, anictérica, AR – murmúrio vesicular presente e diminuídos em bases, sem ruídos adventícios, ACV – bulhas rítmicas normofonéticas em 2 tempos, sem sopros, ABD - globoso, timpânico, tenso e doloroso à palpação difusamente, RHA diminuídos, EXT – bem perfundidas, edema de MMII ++/IV. Em relação a exames de imagem para avaliação diagnóstica, todos os seguintes seriam úteis, exceto:

Alternativas

  1. A) Radiografia de abdome agudo.
  2. B) Tomografia computadorizada de abdome sem contraste.
  3. C) Tomografia computadorizada de abdome com contraste.
  4. D) US de abdome total.

Pérola Clínica

Na obstrução intestinal em idosos, USG abdominal tem baixa sensibilidade para diagnóstico, TC é padrão ouro.

Resumo-Chave

Em um quadro de obstrução intestinal em idosos, a ultrassonografia (USG) de abdome total possui baixa sensibilidade para identificar a causa e o nível da obstrução, sendo menos útil que a radiografia e a tomografia computadorizada. A TC de abdome, com ou sem contraste, é o exame de escolha para detalhar a etiologia e a extensão da obstrução.

Contexto Educacional

A obstrução intestinal é uma emergência cirúrgica comum, especialmente em idosos, e pode ser causada por diversas etiologias, como aderências pós-cirúrgicas, hérnias, tumores, volvos e fecalomas. O quadro clínico clássico inclui dor abdominal, vômitos, distensão abdominal e parada de eliminação de gases e fezes. Em idosos, a apresentação pode ser atípica ou insidiosa, atrasando o diagnóstico e aumentando a morbimortalidade. A avaliação diagnóstica por imagem é fundamental. A radiografia de abdome agudo (em duas ou três posições) é frequentemente o exame inicial, revelando alças dilatadas e níveis hidroaéreos, que sugerem obstrução. No entanto, sua sensibilidade e especificidade são limitadas para identificar a causa. A tomografia computadorizada (TC) de abdome, com ou sem contraste, é o exame de escolha, oferecendo alta acurácia na identificação da causa, localização e gravidade da obstrução, além de detectar complicações como isquemia ou perfuração. A ultrassonografia (USG) de abdome total, embora útil para muitas condições abdominais, tem um papel limitado na investigação de obstrução intestinal. A presença de gás nas alças intestinais distendidas impede a adequada visualização das estruturas, reduzindo sua sensibilidade para identificar o ponto de transição ou a etiologia da obstrução. Portanto, em um cenário de alta suspeita de obstrução intestinal, a USG não deve atrasar a realização de exames mais definitivos como a TC.

Perguntas Frequentes

Por que a radiografia de abdome agudo é útil na suspeita de obstrução intestinal?

A radiografia de abdome agudo (em posições ortostática e decúbito) é útil para identificar sinais de obstrução, como alças intestinais dilatadas com níveis hidroaéreos, e pode sugerir o nível da obstrução. É um exame inicial rápido e amplamente disponível.

Qual o papel da tomografia computadorizada na obstrução intestinal?

A tomografia computadorizada (TC) de abdome, com ou sem contraste, é considerada o padrão ouro para o diagnóstico de obstrução intestinal. Ela permite identificar a causa da obstrução (aderências, tumores, hérnias), o ponto de transição, sinais de isquemia e outras complicações, além de fornecer detalhes anatômicos.

Quais são as limitações da ultrassonografia abdominal para o diagnóstico de obstrução intestinal?

A ultrassonografia abdominal tem limitações significativas na avaliação da obstrução intestinal, especialmente em pacientes com distensão gasosa, que dificulta a visualização. Embora possa identificar líquido livre ou algumas massas, sua sensibilidade para determinar a causa e o nível exato da obstrução é baixa em comparação com a TC.

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