Obstrução Intestinal: Manejo Inicial e Diagnóstico

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2020

Enunciado

Um senhor de 65 anos procura o pronto-socorro com queixa de vômitos, distensão abdominal e parada de eliminação de gases e fezes, há 5 dias. Está afebril e desidratado. O abdome está distendido, é pouco doloroso difusamente e os ruídos hidroaéreos estão aumentados. A radiografia mostra distensão de delgado, com níveis hidroaéreos e o sinal de empilhamento de moedas. O cólon não é visualizado. Antecedentes: laparotomia com esplenectomia, por trauma abdominal fechado decorrente de colisão automobilística, há “muitos anos” (sic). Conduta inicial:

Alternativas

  1. A) Laparoscopia diagnóstica.
  2. B) Laparotomia exploradora de urgência.
  3. C) Tratamento não operatório com hidratação, analgesia e sonda nasogástrica.
  4. D) Tomografia de abdome, com contraste por via oral.
  5. E) Tratamento não operatório com hidratação, fisioterapia respiratória, sonda nasogástrica aberta e colonoscopia de urgência para descartar neoplasia, devido à idade.

Pérola Clínica

Obstrução intestinal por bridas (pós-cirurgia): tratamento inicial conservador com hidratação, SNG e analgesia, se sem sinais de sofrimento de alça.

Resumo-Chave

O paciente apresenta um quadro clássico de obstrução intestinal de delgado, provavelmente por bridas aderenciais devido ao antecedente de cirurgia abdominal. A ausência de sinais de sofrimento de alça (febre, dor intensa localizada, peritonite) indica que a conduta inicial deve ser o tratamento não operatório, com hidratação venosa, analgesia e descompressão com sonda nasogástrica.

Contexto Educacional

A obstrução intestinal é uma emergência cirúrgica comum, caracterizada pela interrupção do trânsito intestinal. Pode ser mecânica ou funcional (íleo paralítico). A obstrução de delgado é frequentemente causada por bridas aderenciais em pacientes com histórico de cirurgia abdominal, hérnias encarceradas ou tumores. O reconhecimento rápido e a conduta adequada são cruciais para evitar complicações graves, como isquemia e perfuração intestinal. A apresentação clínica típica inclui dor abdominal em cólica, náuseas, vômitos, distensão abdominal e parada de eliminação de gases e fezes. O exame físico pode revelar distensão, timpanismo e ruídos hidroaéreos aumentados ou ausentes. A radiografia simples de abdome é o exame inicial, mostrando distensão de alças, níveis hidroaéreos e, no delgado, o sinal de empilhamento de moedas. A tomografia computadorizada é mais sensível e específica para determinar a causa e o local da obstrução. A conduta inicial para obstrução intestinal, na ausência de sinais de sofrimento de alça ou peritonite, é o tratamento não operatório. Este inclui hidratação venosa para corrigir a desidratação e distúrbios eletrolíticos, analgesia e descompressão do trato gastrointestinal com sonda nasogástrica para aliviar a distensão e os vômitos. A observação rigorosa é fundamental, e a falha do tratamento conservador ou o surgimento de sinais de complicação indicam a necessidade de intervenção cirúrgica.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos e radiológicos de obstrução intestinal de delgado?

Clinicamente, o paciente apresenta dor abdominal tipo cólica, vômitos, distensão abdominal e parada de eliminação de gases e fezes. Na radiografia de abdome, observa-se distensão de alças de delgado, níveis hidroaéreos em escada e o sinal de empilhamento de moedas, que indica edema da parede intestinal.

Qual a principal causa de obstrução intestinal em pacientes com histórico de cirurgia abdominal?

A principal causa de obstrução intestinal em pacientes com histórico de cirurgia abdominal prévia são as bridas aderenciais. As bridas são bandas de tecido fibroso que se formam após a cicatrização de cirurgias ou inflamações intra-abdominais, podendo estrangular ou torcer as alças intestinais.

Quando o tratamento não operatório é indicado para obstrução intestinal?

O tratamento não operatório é indicado para obstruções intestinais de delgado incompletas ou completas sem sinais de sofrimento de alça (febre, leucocitose, dor localizada intensa, acidose metabólica, peritonite). Consiste em hidratação venosa, correção de distúrbios eletrolíticos, analgesia e descompressão do trato gastrointestinal com sonda nasogástrica.

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