Obstrução Intestinal: Condutas e Riscos do Contraste

HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2022

Enunciado

Uma paciente de 33 anos queixa-se de dor abdominal difusa, que vem aumentando, e parada de eliminação de flatos e fezes há 2 dias. Tem náuseas e teve 2 episódios de vômitos. Nega febre ou sintomas urinários. Nega episódios prévios semelhantes. Antecedentes: histerectomia total abdominal. Está em bom estado geral, corada, anictérica, acianótica, afebril, mas desidratada1+/4+. O abdômen está distendido e é doloroso difusamente à palpação. A descompressão brusca é negativa. Os ruídos hidroaéreos estão presentes, mas diminuídos. Toque retal: ausência de fezes em ampola; sem massas palpáveis. Hemoglobina: 14,2 mg/dL, proteína C reativa: 28 mg/L, Na+: 141 mEq/L, K+: 3,4 mEq/L. Foi submetida inicialmente a tratamento clínico, com jejum, sonda gástrica aberta e hidratação, iniciado há 12 horas. Fez a tomografia de abdômen ilustrada a seguir.Conduta de maior risco para esta paciente:

Alternativas

  1. A) Manter o tratamento clínico por mais 12 horas.
  2. B) Laparotomia exploradora.
  3. C) Fazer trânsito intestinal com contraste baritado pela sonda gástrica.
  4. D) Laparoscopia.

Pérola Clínica

Em obstrução intestinal, contraste baritado é contraindicado se houver suspeita de perfuração ou isquemia, devido ao risco de peritonite química grave.

Resumo-Chave

O trânsito intestinal com contraste baritado é contraindicado em pacientes com obstrução intestinal e suspeita de perfuração ou isquemia, pois o extravasamento do bário na cavidade peritoneal pode causar peritonite química grave. A conduta inicial é clínica, e se falhar, a cirurgia é indicada.

Contexto Educacional

A obstrução intestinal é uma emergência cirúrgica comum, com etiologias variadas, sendo as aderências pós-operatórias a causa mais frequente em pacientes com histórico de cirurgia abdominal, como a histerectomia total abdominal da paciente em questão. Os sintomas clássicos incluem dor abdominal difusa, náuseas, vômitos, distensão abdominal e parada de eliminação de flatos e fezes. O diagnóstico é clínico e radiológico, com a tomografia de abdômen sendo o exame de escolha para identificar o local e a causa da obstrução. O tratamento inicial para obstrução intestinal não complicada é clínico, visando a descompressão do trato gastrointestinal (sonda nasogástrica), hidratação venosa e correção de desequilíbrios eletrolíticos. Muitos casos de obstrução por aderências resolvem-se espontaneamente com essa abordagem. No entanto, a falha do tratamento clínico, o agravamento dos sintomas ou o surgimento de sinais de complicação (isquemia, perfuração) indicam a necessidade de intervenção cirúrgica. A conduta de maior risco para esta paciente seria a realização de trânsito intestinal com contraste baritado pela sonda gástrica. Embora o contraste hidrossolúvel possa ser usado para diagnóstico e, em alguns casos, até terapêutico em obstruções parciais, o bário é estritamente contraindicado na presença de suspeita de perfuração ou isquemia intestinal. O extravasamento de bário para a cavidade peritoneal pode induzir uma peritonite química grave, com consequências devastadoras. Portanto, em um cenário de obstrução intestinal com distensão e dor difusa, mesmo sem descompressão brusca positiva, a introdução de bário é um risco desnecessário e potencialmente fatal.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta em um paciente com obstrução intestinal?

Sinais de alerta incluem dor abdominal intensa e persistente, febre, taquicardia, hipotensão, leucocitose, acidose metabólica e sinais de peritonite (dor à descompressão brusca). Estes podem indicar isquemia ou perfuração intestinal, exigindo intervenção cirúrgica imediata.

Por que o contraste baritado é de alto risco em obstrução intestinal?

O contraste baritado é de alto risco em obstrução intestinal com suspeita de perfuração ou isquemia porque, se houver extravasamento para a cavidade peritoneal, pode causar uma peritonite química grave, com inflamação intensa e aderências, dificultando a cirurgia e piorando o prognóstico.

Qual a conduta inicial para obstrução intestinal não complicada?

A conduta inicial para obstrução intestinal não complicada é clínica, incluindo jejum, descompressão com sonda nasogástrica (SNG) aberta, hidratação venosa e correção de distúrbios eletrolíticos. Muitos casos de obstrução por aderências pós-operatórias resolvem-se espontaneamente com essa abordagem.

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