UFMT/HUJM - Hospital Universitário Júlio Müller - Cuiabá (MT) — Prova 2020
Uma paciente de 53 anos foi atendida no Pronto Atendimento de um hospital com queixa de dor abdominal intensa que se iniciou há 2 semanas e evoluiu com aumento progressivo da intensidade neste período. Há 1 dia, associou-se a distensão abdominal e parada de eliminação de flatos e fezes. Ao exame físico, paciente apresenta-se prostrada, com fácies de dor, distensão abdominal com hipertimpanismo universal. No toque retal, percebe-se a presença de tumor há aproximadamente 4 cm da borda anal, intransponível ao dedo. Sobre o caso, assinale a afirmativa correta.
Obstrução intestinal baixa + tumor retal intransponível → Descompressão cirúrgica (colostomia).
Paciente com quadro de obstrução intestinal baixa aguda e evidência de tumor retal intransponível ao toque retal necessita de descompressão imediata. A confecção de uma colostomia é o tratamento cirúrgico de urgência para aliviar a obstrução e estabilizar o paciente, permitindo o estadiamento e tratamento definitivo do câncer em um segundo momento.
A obstrução intestinal é uma complicação grave e comum do câncer colorretal, especialmente em tumores localizados no reto e sigmoide. O quadro clínico é caracterizado por dor abdominal progressiva, distensão, náuseas, vômitos e parada de eliminação de flatos e fezes. O toque retal é um exame físico fundamental que pode revelar a presença de um tumor obstrutivo. Em casos de obstrução intestinal completa por um tumor retal intransponível, a conduta de urgência é a descompressão cirúrgica. A confecção de uma colostomia (geralmente em alça, como uma colostomia transversa ou sigmoide) é a opção mais comum para desviar o trânsito fecal, aliviar a obstrução e estabilizar o paciente. Essa medida é paliativa em relação à obstrução, mas vital para a segurança do paciente, permitindo que o estadiamento completo do câncer e o planejamento do tratamento definitivo (cirurgia curativa, quimioterapia, radioterapia) sejam realizados em um segundo momento, com o paciente em melhores condições clínicas. É um erro comum tentar realizar o estadiamento completo ou iniciar terapias oncológicas antes de resolver a obstrução, pois isso pode levar a complicações fatais. Residentes devem estar aptos a reconhecer os sinais de obstrução intestinal e indicar a intervenção cirúrgica de urgência apropriada para garantir a sobrevida do paciente.
Os sinais e sintomas incluem dor abdominal intensa e progressiva, distensão abdominal, náuseas, vômitos (frequentemente fecaloides em obstruções baixas) e parada de eliminação de flatos e fezes.
A colostomia é realizada como cirurgia de urgência para desviar o fluxo fecal e descomprimir o intestino obstruído, aliviando os sintomas e prevenindo complicações como isquemia e perfuração. Isso permite a estabilização do paciente antes de um tratamento definitivo do câncer.
O estadiamento completo do câncer deve ser realizado após a resolução da obstrução e estabilização do paciente. Em uma situação de emergência obstrutiva, a prioridade é a descompressão cirúrgica, e o estadiamento é postergado para um momento mais seguro.
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