HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2022
Uma senhora de 68 anos procura o pronto-socorro por dores abdominais em cólica, mais localizadas em baixo-ventre, e dificuldade para evacuar, que foi piorando ao longo dos últimos 6 meses. Vinha evacuando a cada 4 dias, sendo que atualmente está há 1 semana sem evacuar. Queixa-se ainda de náuseas e vômitos. Não tem antecedentes relevantes, salvo hipertensão arterial, que trata com diurético. Refere tabagismo de 1 maço/dia, por “mais de 20 anos”. Nega febre. Refere emagrecimento de 10 kg (de 80 para 70 kg) nos últimos 6 meses. Está desidratada. Tem distensão abdominal, sem peritonismo. Fez a radiografia ilustrada a seguir.A conduta neste momento deve ser:
Obstrução intestinal baixa em idoso com constipação crônica e emagrecimento → Lavagem retal inicial se não há peritonismo.
O quadro clínico de constipação progressiva, dor abdominal, náuseas, vômitos e emagrecimento em idosa tabagista levanta a suspeita de neoplasia colorretal com obstrução. A ausência de peritonismo e a distensão abdominal sugerem uma obstrução subtotal ou impactação fecal. A lavagem retal pode aliviar a obstrução baixa e é uma medida inicial antes de procedimentos mais invasivos.
A obstrução intestinal em idosos é uma condição grave que requer atenção imediata. A constipação crônica é comum nessa faixa etária, mas uma piora progressiva, acompanhada de sintomas como dor abdominal em cólica, náuseas, vômitos e emagrecimento inexplicado, deve levantar a suspeita de causas mais sérias, como neoplasias colorretais. A fisiopatologia da obstrução intestinal pode ser mecânica (por tumor, estenose, volvo, impactação fecal) ou funcional (íleo paralítico). O diagnóstico inicial envolve a avaliação clínica, exame físico (distensão abdominal, ausência de peritonismo) e exames de imagem como a radiografia simples de abdome, que pode mostrar níveis hidroaéreos e distensão de alças. A história de tabagismo aumenta o risco de câncer colorretal. O tratamento inicial visa estabilizar o paciente e aliviar a obstrução. Em casos de obstrução baixa sem sinais de peritonismo, a lavagem retal pode ser uma medida eficaz para desimpactar fezes ou aliviar a obstrução. Após a estabilização, a investigação diagnóstica com tomografia de abdômen e pelve e, posteriormente, colonoscopia, é fundamental para identificar a causa subjacente e planejar o tratamento definitivo.
Sinais de alarme em idosos com constipação crônica incluem emagrecimento inexplicado, anemia, sangramento retal, dor abdominal progressiva, alteração recente do hábito intestinal e história familiar de câncer colorretal.
A lavagem retal é uma medida inicial importante para aliviar a impactação fecal ou obstrução intestinal baixa, especialmente quando não há sinais de peritonismo, permitindo estabilização do paciente e planejamento de investigação diagnóstica.
Deve-se suspeitar de câncer colorretal em quadros de constipação que se iniciam ou pioram progressivamente em pacientes mais velhos, acompanhados de sintomas como emagrecimento, anemia, sangramento e dor abdominal crônica.
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