HVC - Hospital Vera Cruz (SP) — Prova 2023
Mulher, 68 anos de idade, procura a emergência por dor abdominal em cólica associada a náuseas, vômitos e parada de eliminação de fezes e flatos há 3 dias. Nega febre. Refere perda ponderal de 5kg (60kg para 55kg) nos últimos 3 meses. Nega cirurgias prévias. Ao exame clínico, encontra-se em bom estado geral, desidratada 1+/4+ com pressão arterial 110x70mmHg e frequência cardíaca 90bpm. Abdome distendido, ruídos hidroaéreos aumentados, flácido, doloroso à palpação profunda difusamente, sem sinais de irritação peritoneal. Toque retal sem sangue, sem lesões tocáveis, sem fezes. Realizou a tomografia computadorizada de abdome total disponibilizada a seguir: Considerando o quadro clínico e o exame de imagem, qual é o diagnóstico da paciente?
Idosa + Obstrução intestinal baixa + Perda ponderal + Nega cirurgia prévia → Suspeitar de Neoplasia Obstrutiva (ex: válvula ileocecal).
Em pacientes idosos com quadro de obstrução intestinal baixa, especialmente na ausência de cirurgias prévias (que sugeririam bridas) e com história de perda ponderal, a principal hipótese diagnóstica é neoplasia obstrutiva. A válvula ileocecal é um local comum para tumores de cólon direito causarem obstrução.
A obstrução intestinal é uma emergência cirúrgica comum, caracterizada pela interrupção do trânsito intestinal. Em pacientes idosos, a etiologia da obstrução difere da população mais jovem. Enquanto em pacientes com cirurgias abdominais prévias as bridas são a causa mais frequente, em idosos sem história cirúrgica, a neoplasia obstrutiva, particularmente o câncer colorretal, deve ser a principal hipótese diagnóstica. A apresentação clínica inclui dor abdominal em cólica, náuseas, vômitos, distensão abdominal e parada de eliminação de fezes e flatos. A história de perda ponderal inexplicada, como no caso da paciente, é um sinal de alerta para malignidade. O exame físico pode revelar distensão abdominal, timpanismo e ruídos hidroaéreos aumentados em fases iniciais, que podem diminuir ou desaparecer com a progressão da obstrução. A tomografia computadorizada de abdome total é o exame de imagem de escolha para confirmar o diagnóstico de obstrução, identificar o local, a causa e avaliar a presença de complicações como isquemia ou perfuração. O tratamento inicial da obstrução intestinal inclui descompressão gástrica com sonda nasogástrica, hidratação venosa e correção de distúrbios eletrolíticos. A conduta definitiva dependerá da causa da obstrução. No caso de neoplasia obstrutiva, a cirurgia é frequentemente necessária para ressecção do tumor e restabelecimento do trânsito intestinal. Residentes devem estar aptos a reconhecer os sinais de alerta para malignidade em quadros obstrutivos e a solicitar os exames complementares adequados para um diagnóstico e manejo oportunos.
Os sinais clássicos incluem dor abdominal em cólica, náuseas, vômitos (frequentemente biliosos ou fecaloides), distensão abdominal e parada de eliminação de fezes e flatos. A intensidade e o tipo dos sintomas variam com o grau e a localização da obstrução.
A perda ponderal inexplicada, especialmente em pacientes idosos com sintomas obstrutivos crônicos ou subagudos, é um forte indicativo de malignidade subjacente, como um câncer colorretal causando a obstrução.
Em adultos sem história de cirurgia abdominal prévia, as principais causas de obstrução intestinal incluem neoplasias (especialmente colorretais), hérnias encarceradas, volvo e doença inflamatória intestinal. Bridas são a causa mais comum em pacientes com cirurgia prévia.
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