UniEVANGÉLICA - Universidade Evangélica de Goiás — Prova 2015
Paciente JMS, de 40 anos, sexo masculino, dá entrada no pronto-socorro com dor abdominal intensa e difusa há três dias, com piora nas últimas 24 horas. Relata ainda anorexia, náuseas, vômitos e ausência de flatos e evacuações neste período. Nega frebre e outros sinais e/ou sintomas. Antecedentes pessoais: sem comorbidades. Laparotomia exploradora há cinco anos por ferimento de arma de fogo. Ao exame clínico: regular estado geral, desidratado, corado, afebril. Frequência cardíaca de 120 bpm, e pressão arterial igual a 100 x 60 mmHg. Abdômen semigloboso, tenso, distendido, com hipertimpanismo, intensamente doloroso à palpação, sem sinais de irritação peritoneal. Ruídos hidroaréreos ausentes. Toque retal sem fezes na ampola retal. Exames laboratoriais: 16.000 leucócitos com 16% de bastões e 72% de segmentados amilase e urina I normais. Radiografia de abdômen em ortostase apresentada a seguir. (VER IMAGEM). Nesse caso, qual a conduta para este paciente?
Dor abdominal difusa + vômitos + ausência de flatos/fezes + antecedente cirúrgico + abdome distendido/hipertimpânico + ruídos ausentes + leucocitose → Obstrução intestinal aguda com indicação cirúrgica.
O quadro clínico de dor abdominal intensa, vômitos, parada de eliminação de flatos e fezes, distensão abdominal, hipertimpanismo e ruídos hidroaéreos ausentes, em paciente com antecedente de cirurgia abdominal, é altamente sugestivo de obstrução intestinal aguda. A presença de leucocitose e sinais de desidratação/taquicardia reforçam a gravidade, indicando a necessidade de intervenção cirúrgica imediata, sem atraso para TC.
A obstrução intestinal aguda é uma emergência cirúrgica comum, caracterizada pela interrupção do trânsito intestinal. As causas mais frequentes em adultos são aderências pós-operatórias (como no caso de laparotomia prévia por ferimento de arma de fogo), hérnias encarceradas e neoplasias. O quadro clínico clássico inclui dor abdominal tipo cólica, náuseas, vômitos, distensão abdominal e parada de eliminação de flatos e fezes. A evolução para dor difusa e intensa, taquicardia, hipotensão e leucocitose sugere sofrimento de alça ou complicação grave. O diagnóstico é primariamente clínico, complementado por exames de imagem. A radiografia de abdome em ortostase é o exame inicial, podendo mostrar alças dilatadas e níveis hidroaéreos. Embora a tomografia computadorizada (TC) seja excelente para identificar a causa e o local da obstrução, em pacientes com quadro clínico e radiológico claro de obstrução e sinais de gravidade (como os descritos: desidratação, taquicardia, leucocitose e dor intensa sem irritação peritoneal, sugerindo sofrimento de alça), a TC pode atrasar uma intervenção cirúrgica urgente. A conduta para obstrução intestinal aguda depende da causa, tipo (parcial ou completa) e presença de complicações. Em casos de obstrução completa ou sinais de estrangulamento (isquemia da alça intestinal), a indicação é cirúrgica imediata para desobstrução e ressecção de alças inviáveis. O tratamento conservador (hidratação, sonda nasogástrica, analgesia) pode ser tentado em obstruções parciais ou sem sinais de complicação, mas a falha em melhorar rapidamente exige reavaliação para cirurgia.
Os sintomas incluem dor abdominal tipo cólica, náuseas, vômitos (inicialmente biliosos, depois fecaloides), distensão abdominal e parada de eliminação de flatos e fezes. Ao exame físico, pode haver distensão, hipertimpanismo e ruídos hidroaéreos aumentados no início, que se tornam ausentes em fases avançadas.
A radiografia de abdome em ortostase é um exame inicial crucial que pode revelar alças intestinais dilatadas, níveis hidroaéreos e ausência de gás no cólon distal, sugerindo o local e a presença da obstrução.
A cirurgia é indicada em casos de obstrução intestinal completa, sinais de estrangulamento (dor intensa, febre, leucocitose, taquicardia, hipotensão, sinais de irritação peritoneal) ou falha do tratamento conservador. A presença de antecedente cirúrgico aumenta a probabilidade de aderências como causa.
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