Obstrução Intestinal: Sinais Clínicos e Achados no Exame Físico

HUSE - Hospital de Urgência de Sergipe Gov. João Alves Filho — Prova 2020

Enunciado

Homem de 72 anos, 70kg, chegou ao pronto-socorro com história de há 12 horas dor abdominal intensa, tipo cólica; há 4 horas parada de eliminação de flatos e fezes, com vômitos de líquido amarronzado e com odor fétido, redução do volume urinário e queda importante do estado geral. Refere alteração do hábito intestinal há cerca de um mês passando a ficar mais obstipado. Nega cirurgias abdominais prévias. Ao exame: pressão arterial = 100 x 70 mmHg, pulso = frequência cardíaca = 110bpm, temperatura = 37,4°C, descorado, e com distensão abdominal importante. Das alterações de exame físico descritas abaixo será mais compatível com o quadro clínico deste paciente o achado de:

Alternativas

  1. A) desaparecimento da macicez hepática.
  2. B) descompressão positiva em hipocôndrio direito.
  3. C) massa compressível em hipocôndrio direito
  4. D) ruídos hidroaéreos metálicos
  5. E) sinal do obturador positivo.

Pérola Clínica

Dor abdominal cólica + parada de flatos/fezes + vômitos fecaloide + distensão abdominal → Obstrução intestinal (RHA metálicos).

Resumo-Chave

O quadro clínico de dor abdominal cólica, parada de eliminação de flatos e fezes, vômitos (especialmente fecaloide) e distensão abdominal é altamente sugestivo de obstrução intestinal. No exame físico, a ausculta abdominal revela ruídos hidroaéreos metálicos e aumentados, característicos da hiperperistalse tentando vencer a obstrução.

Contexto Educacional

A obstrução intestinal é uma emergência cirúrgica comum, especialmente em idosos, e seu reconhecimento precoce é vital para prevenir complicações graves como isquemia e perfuração intestinal. O quadro clínico clássico envolve dor abdominal tipo cólica, náuseas e vômitos (que podem se tornar fecaloide em obstruções distais ou prolongadas), distensão abdominal e parada da eliminação de flatos e fezes. A história de alteração do hábito intestinal recente em um idoso, como obstipação progressiva, levanta a suspeita de neoplasia colorretal como causa. No exame físico, a distensão abdominal é um achado proeminente. A ausculta abdominal é crucial: na obstrução mecânica, a peristalse tenta ativamente superar o bloqueio, resultando em ruídos hidroaéreos aumentados em frequência e intensidade, com um timbre metálico característico ("ruídos hidroaéreos metálicos"). Com a progressão da obstrução e fadiga intestinal, os ruídos podem diminuir. A palpação pode revelar dor difusa e, em casos de isquemia ou perfuração, sinais de peritonite. O diagnóstico é primariamente clínico, suportado por exames de imagem como radiografia simples de abdome (que pode mostrar alças dilatadas e níveis hidroaéreos) e tomografia computadorizada (padrão-ouro para identificar a causa e o local da obstrução). O tratamento inicial envolve estabilização hemodinâmica, descompressão gástrica com sonda nasogástrica e hidratação venosa, seguido de manejo cirúrgico na maioria dos casos de obstrução mecânica completa.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas cardinais da obstrução intestinal?

Os sintomas cardinais incluem dor abdominal tipo cólica, náuseas e vômitos, distensão abdominal e parada da eliminação de flatos e fezes.

Por que os ruídos hidroaéreos metálicos são característicos da obstrução intestinal?

Os ruídos hidroaéreos metálicos ocorrem devido à hiperperistalse vigorosa do intestino proximal à obstrução, que tenta vencer o obstáculo, gerando sons de alta frequência e timbre metálico.

Qual a importância do vômito fecaloide na obstrução intestinal?

O vômito fecaloide indica uma obstrução intestinal de longa duração ou de localização mais distal, onde o conteúdo intestinal estagnado e em decomposição é regurgitado.

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