Obstrução Intestinal Aguda: Prioridades no Manejo Inicial

UFRN/EMCM - Escola Multicampi de Ciências Médicas (RN) — Prova 2020

Enunciado

Sr Olavo, 80 anos, com dor abdominal em cólica, distensão e parada de eliminação de gases e fezes há 24 horas. Há 06 horas iniciou vômitos biliosos. Dois episódios semelhantes ocorreram 3 a 6 meses atrás, com resolução espontânea após 2 dias de internação. Exame físico: fáceis de dor e agitação. Tax: 37,8ºC, FC: 110bpm, PA: 150/60mmHg, FR: 24irpm, hipocorado ++/4+, desidratado +++/4+, anictérico. Enchimento capilar lentificado. Abdome muito distendido, hipertimpânico, com dor difusa à palpação profunda; percebem-se ruídos metálicos ao auscultar o abdômen. A conduta imediata adequada é:

Alternativas

  1. A) Mensurar condições circulatórias e respiratórias e equilibrá-las.
  2. B) Transporte urgente para o centro cirúrgico.
  3. C) Descompressão imediata do trato digestivo alto.
  4. D) Iniciar ventilação não invasiva.

Pérola Clínica

Paciente idoso com obstrução intestinal e sinais de instabilidade hemodinâmica (taquicardia, desidratação, enchimento capilar lentificado) → priorizar estabilização clínica (ABC).

Resumo-Chave

O paciente apresenta um quadro de obstrução intestinal com sinais claros de desidratação grave e instabilidade hemodinâmica (taquicardia, enchimento capilar lentificado). Antes de qualquer intervenção específica para a obstrução, a prioridade é a estabilização das condições circulatórias e respiratórias (ABC do trauma/emergência clínica).

Contexto Educacional

Pacientes idosos com abdome agudo obstrutivo representam um desafio clínico significativo, exigindo uma abordagem sistemática e priorização das condutas. O quadro de obstrução intestinal, como o do Sr. Olavo, pode rapidamente levar a desidratação grave e instabilidade hemodinâmica devido à sequestração de líquidos para o lúmen intestinal e vômitos. A fisiopatologia da obstrução intestinal envolve a distensão do intestino, que compromete a circulação local, aumenta a permeabilidade capilar e leva à perda de fluidos e eletrólitos. A taquicardia, a hipotensão e o enchimento capilar lentificado são sinais de choque hipovolêmico incipiente ou estabelecido, que deve ser abordado imediatamente. A conduta inicial em qualquer emergência, e especialmente em um paciente idoso com sinais de instabilidade, é a avaliação e estabilização das vias aéreas, respiração e circulação (ABC). Isso inclui a mensuração e o equilíbrio das condições circulatórias e respiratórias, com reposição volêmica agressiva, oxigenoterapia e monitorização contínua. Somente após a estabilização hemodinâmica é que se deve prosseguir com a investigação diagnóstica e o tratamento definitivo da obstrução.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de instabilidade hemodinâmica em um paciente idoso com obstrução intestinal?

Sinais incluem taquicardia, hipotensão (ou PA limítrofe), enchimento capilar lentificado, pele fria e úmida, alteração do nível de consciência, oligúria e desidratação grave.

Por que a reanimação volêmica é a primeira conduta na obstrução intestinal com desidratação?

A obstrução intestinal leva à sequestração de líquidos para o terceiro espaço e vômitos, causando desidratação e hipovolemia. A reposição volêmica corrige essa deficiência, melhora a perfusão tecidual e otimiza as condições para intervenções futuras.

Quais exames complementares são essenciais após a estabilização inicial?

Após a estabilização, exames como hemograma, eletrólitos, função renal, gasometria, lactato, radiografia simples de abdome e tomografia computadorizada são cruciais para confirmar o diagnóstico, identificar a causa e avaliar complicações.

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