Obstrução Intestinal Aguda: Diagnóstico e Manejo Inicial

ENARE/ENAMED — Prova 2025

Enunciado

Um paciente de 48 anos apresenta-se no pronto-socorro com dor abdominal intensa e intermitente há 18 horas, com náuseas e vômitos. Ele relata não ter evacuado ou eliminado gases nas últimas 48 horas. Sua história patológica pregressa inclui uma apendicectomia realizada há 20 anos e uma cirurgia para correção de hérnia inguinoescrotal há 5 anos. O exame físico mostrou o paciente lúcido e apirético; sinais vitais: PA 125/80 mmHg, FC 90 bpm, FR 20 ipm, T 36,8 °C. O abdômen está distendido. Peristalse de luta apresenta ruídos metálicos e hipercinéticos. Sente dor à palpação difusa, porém sem sinais de defesa e com ausência de hérnias palpáveis. Os exames laboratoriais registram hemograma com leucócitos de 8.000/mm3 e eletrólitos dentro dos limites normais. Os exames de imagem revelam rotina de abdômen agudo, mostrando distensão de alças intestinais com níveis hidroaéreos, e sem evidências de tumorações.Diante desse quadro clínico, a etapa inicial mais apropriada para o manejo do caso é:

Alternativas

  1. A) colonoscopia urgente;
  2. B) administração de laxantes e observação;
  3. C) cirurgia imediata para exploração abdominal;
  4. D) alta com orientação para retorno no caso de persistirem os sintomas;
  5. E) administração intravenosa de líquidos, descompressão nasogástrica e observação.

Pérola Clínica

Obstrução intestinal por aderências: dor abdominal + vômitos + obstipação + cirurgia prévia. Manejo inicial = hidratação IV + SNG + observação.

Resumo-Chave

O quadro clínico e a história de cirurgias abdominais prévias (apendicectomia, hérnia) são altamente sugestivos de obstrução intestinal por aderências. A conduta inicial, na ausência de sinais de peritonite ou estrangulamento, é conservadora, visando estabilizar o paciente e descomprimir o trato gastrointestinal.

Contexto Educacional

A obstrução intestinal aguda é uma emergência cirúrgica comum, sendo as aderências pós-cirúrgicas a causa mais frequente no intestino delgado. O reconhecimento precoce dos sintomas e a instituição de um manejo adequado são cruciais para evitar complicações graves como isquemia e perfuração intestinal. A história clínica detalhada, incluindo cirurgias prévias, é fundamental para a suspeita diagnóstica. O quadro clínico típico envolve dor abdominal tipo cólica, náuseas, vômitos e obstipação. Ao exame físico, pode-se encontrar distensão abdominal e ruídos hidroaéreos hiperativos ou metálicos (peristalse de luta). Exames laboratoriais geralmente são inespecíficos, mas podem mostrar desequilíbrios eletrolíticos. A radiografia de abdômen agudo é o exame de imagem inicial, revelando alças distendidas e níveis hidroaéreos. A tomografia computadorizada é mais acurada para determinar a causa e o nível da obstrução. O manejo inicial da obstrução intestinal não complicada é conservador, com foco na estabilização do paciente. Isso inclui hidratação intravenosa vigorosa para corrigir a desidratação e os distúrbios eletrolíticos, e a passagem de uma sonda nasogástrica para descompressão do trato gastrointestinal, aliviando a distensão e os vômitos. A observação clínica é essencial para monitorar a evolução e identificar precocemente sinais de complicação que indicariam a necessidade de intervenção cirúrgica.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas de obstrução intestinal aguda?

Os principais sinais e sintomas incluem dor abdominal intensa e intermitente (tipo cólica), náuseas, vômitos, distensão abdominal e obstipação (ausência de eliminação de gases e fezes). A história de cirurgias abdominais prévias é um fator de risco importante.

Qual o papel dos exames de imagem no diagnóstico de obstrução intestinal?

A radiografia simples de abdômen (rotina de abdômen agudo) pode revelar distensão de alças intestinais com níveis hidroaéreos, sugerindo obstrução. A tomografia computadorizada é mais sensível e específica para identificar a causa e o local da obstrução.

Qual a conduta inicial para um paciente com suspeita de obstrução intestinal sem sinais de complicação?

A conduta inicial mais apropriada é a administração intravenosa de líquidos para correção de desidratação e eletrólitos, descompressão nasogástrica para aliviar a distensão e os vômitos, e observação rigorosa. A cirurgia é reservada para casos de falha do tratamento conservador ou sinais de complicação (estrangulamento, isquemia, peritonite).

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo