Obstrução Intestinal Aguda: Conduta Inicial e Estabilização

ENARE/ENAMED — Prova 2024

Enunciado

Um paciente de 65 anos apresenta dor, distensão abdominal e vômitos repetidos há 2 dias. Não evacua e não elimina flatos há 3 dias. Os exames de imagem mostram distensão de intestino delgado e fezes em reto. Assinale a alternativa que apresenta a melhor conduta inicial para tratamento desse paciente.

Alternativas

  1. A) Coletar exames laboratoriais para detectar se há distúrbios hidroeletrolíticos e efetuar passagem de sonda nasogástrica para drenagem e hidratação.
  2. B) Indicar laparotomia exploradora para melhor diagnosticar e tratar o paciente, já que ele apresenta o quadro há mais de 2 dias.
  3. C) Coletar exames laboratoriais para detectar se há sinais de infecção associada; passar sonda nasoenteral para alimentação pós-pilórica e iniciar antibióticos de forma profilática.
  4. D) Conversar com os familiares e indicar laparotomia exploradora com ileostomia associada, pois, nesses casos de distensão grande do delgado, não é recomendada anastomose primária.
  5. E) Coletar exames laboratoriais; realizar tomografia para melhor avaliação e, a seguir, encaminhar o paciente para cirurgia, pois a maior parte desses casos é solucionada por meio de cirurgia.

Pérola Clínica

Obstrução intestinal aguda → Estabilização clínica: SNG para descompressão, hidratação IV e correção hidroeletrolítica.

Resumo-Chave

Em um quadro de obstrução intestinal, a prioridade inicial é a estabilização do paciente. A passagem de sonda nasogástrica (SNG) é fundamental para descompressão do trato gastrointestinal, aliviando vômitos e distensão. Simultaneamente, a hidratação venosa e a correção de distúrbios hidroeletrolíticos, comuns devido aos vômitos e sequestro de líquidos, são cruciais antes de qualquer intervenção cirúrgica.

Contexto Educacional

A obstrução intestinal aguda é uma emergência cirúrgica comum, especialmente em pacientes idosos, e requer uma abordagem diagnóstica e terapêutica rápida e eficaz. O quadro clínico clássico envolve dor abdominal em cólica, distensão, vômitos e parada de eliminação de flatos e fezes. A presença de fezes no reto, apesar da distensão do delgado, pode sugerir uma obstrução parcial ou uma obstrução mais alta no intestino delgado, onde o cólon distal ainda contém conteúdo fecal. A conduta inicial em qualquer caso de obstrução intestinal é a estabilização clínica do paciente. Isso inclui a avaliação e correção de distúrbios hidroeletrolíticos, que são muito comuns devido aos vômitos repetidos e ao sequestro de líquidos para o lúmen intestinal. A hidratação venosa agressiva com cristaloides é fundamental para restaurar o volume intravascular e manter a perfusão tecidual. Paralelamente, a passagem de uma sonda nasogástrica (SNG) é uma medida terapêutica e diagnóstica crucial. A SNG permite a descompressão do trato gastrointestinal proximal à obstrução, aliviando a distensão abdominal, reduzindo a frequência dos vômitos e diminuindo o risco de aspiração pulmonar. Somente após a estabilização hemodinâmica e metabólica, e a descompressão inicial, o paciente estará em melhores condições para investigações adicionais (como tomografia computadorizada, se ainda não realizada) e para a eventual intervenção cirúrgica, se indicada.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos de obstrução intestinal?

Os sinais e sintomas clássicos incluem dor abdominal tipo cólica, distensão abdominal, vômitos (inicialmente biliosos, podendo se tornar fecaloides em obstruções distais) e alteração do hábito intestinal, como ausência de eliminação de flatos e fezes.

Qual a importância da sonda nasogástrica no manejo da obstrução intestinal?

A sonda nasogástrica (SNG) é essencial para promover a descompressão do trato gastrointestinal proximal à obstrução, aliviando a distensão abdominal, reduzindo a incidência de vômitos e prevenindo a aspiração pulmonar, além de diminuir o risco de isquemia da parede intestinal.

Por que a correção dos distúrbios hidroeletrolíticos é prioritária?

Os vômitos e o sequestro de líquidos para o lúmen intestinal e terceiro espaço podem levar rapidamente a desidratação, hipovolemia e desequilíbrios eletrolíticos (hipocalemia, hiponatremia, alcalose metabólica). A correção desses distúrbios é vital para manter a perfusão orgânica e otimizar o paciente para qualquer intervenção cirúrgica.

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