HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2023
Homem, 35 anos de idade, procura pronto atendimento por dor em hipogástrico há 5 dias. Há dois dias, evoluiu com náuseas, vômitos e parada de eliminação de fezes e flatos. Ao exame físico, encontra-se em regular estado geral, com pressão arterial 120x80mmHg, frequência cardíaca 94bpm e temperatura axilar 38,3ºC. Abdome globoso, doloroso à palpação em hipogástrio, sem massas palpáveis, sem hérnias inguinofemorais. Toque retal com pequena quantidade de fezes pastosas. Os exames laboratoriais evidenciam: hemoglobina 12,4g/dL (VR 3,0 - 16,9g/dL); leucócitos 16.700/mm³ (VR 4.000 - 10.000/mm³); proteína C reativa 143mg/L (VR < 3mg/L); creatinina 0,9mg/dL (VR 0,6 - 1,3mg/dL); ureia 32mg/dL (VR 10 - 50mg/dL); sódio 143mEq/L (VR 135 - 145mEq/L); potássio 4,1mEq/L (VR 3,6 - 5,2mEq/L). Urina tipo I: hemácias ausentes, leucócitos 40.000/mm³ (VR < 10.000/mm³), nitrito negativo. Realizou a tomografia computadorizada de abdome total, mostrada a seguir: O tratamento indicado para este paciente, além de administração de antibióticos, é:
Obstrução intestinal + sinais inflamatórios/febre + TC com complicação → Abordagem cirúrgica.
O quadro clínico de obstrução intestinal associado a febre, leucocitose e PCR elevada, com leucocitúria estéril (sugerindo inflamação próxima ao trato urinário), indica uma complicação como abscesso ou peritonite. A TC, embora não mostrada, provavelmente confirmaria uma complicação que exige intervenção cirúrgica.
A obstrução intestinal aguda é uma emergência cirúrgica comum, caracterizada pela interrupção do trânsito intestinal. Em adultos, as aderências pós-cirúrgicas e as hérnias são as causas mais frequentes, seguidas por neoplasias. O reconhecimento precoce e a diferenciação entre obstrução simples e complicada são cruciais para o manejo adequado e para evitar morbimortalidade. O diagnóstico baseia-se na tríade clássica de dor abdominal, náuseas/vômitos e parada de eliminação de fezes e flatos. Sinais de complicação, como febre, taquicardia, leucocitose e peritonismo, sugerem isquemia, perfuração ou formação de abscesso. A tomografia computadorizada de abdome é o exame de imagem de escolha para confirmar o diagnóstico, identificar a causa e avaliar a presença de complicações. O tratamento inicial envolve estabilização hemodinâmica, descompressão gástrica com sonda nasogástrica e analgesia. No entanto, a presença de sinais de complicação (como os descritos no enunciado, incluindo febre, leucocitose e PCR elevada, além de leucocitúria estéril que pode indicar um processo inflamatório adjacente como um abscesso) indica a necessidade de abordagem cirúrgica imediata para resolver a causa da obstrução e tratar as complicações.
Sinais de complicação incluem febre, taquicardia, hipotensão, leucocitose com desvio à esquerda, dor abdominal localizada ou difusa com sinais de peritonismo, e achados radiológicos como pneumoperitônio ou abscesso.
A leucocitúria estéril (sem nitrito ou bactérias) pode ocorrer devido à inflamação de estruturas adjacentes ao trato urinário, como um abscesso pélvico ou diverticulite, que irrita a bexiga ou ureteres, causando a passagem de leucócitos para a urina.
As causas mais comuns em adultos incluem aderências pós-cirúrgicas, hérnias encarceradas, neoplasias (especialmente colorretais), volvo e doença inflamatória intestinal.
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