Obstrução Intestinal Aguda: Manejo Inicial no Pronto-Socorro

HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2022

Enunciado

Homem, 35 anos de idade, sem comorbidades, dá entrada em pronto-socorro com quadro de distensão abdominal importante e progressiva há cerca de 3 dias, com dores abdominais difusas, episódios de vômitos recorrentes (4 vômitos hoje) e um pico febril de 37,9°C. Não evacua há 5 dias. Refere ter realizado apendicectomia convencional por apendicite aguda complicada há 2 anos. Ao exame, apresenta-se prostrado, com náuseas, mucosas e pele secas, afebril no momento, frequência cardíaca de 110 batimentos por minuto, pressão arterial 110x80mmHg, com abdome distendido, tenso, sem hiperemia de parede, doloroso à palpação profunda difusamente, sem dor à descompressão brusca e sem massas palpáveis. Toque retal sem fezes ou sangue na ampola. Traz exame laboratorial de outro serviço do dia anterior, com Hb 11,0 g/dL; Ht 35%; Leucograma 15.000/mm³ (75% segmentados, sem bastões); Plaquetas 280.000/mm³; Ureia 45 mg/dL; Cr 0,8 mg/dL; Na⁺ 144 mEq/L; K⁺ 3,2 mmol/L. A primeira conduta a ser tomada no pronto-socorro neste momento é:

Alternativas

  1. A) Lavado peritoneal diagnóstico associado a eFAST (Extended Focused Assessment with Sonography for Trauma) na sala de emergência.
  2. B) Laparotomia exploradora de emergência, para evitar possível lesão isquêmica das alças intestinais comprometidas.
  3. C) Passagem de sonda nasogástrica em aspiração e sonda vesical de demora, hidratação venosa com cristaloides e coleta de novos exames com gasometria arterial.
  4. D) Tomografia computadorizada de tórax, abdome e pelve com contraste e realização de enteroclisma.
  5. E) Fazer lavado peritoneal diagnóstico associado a realização de enteroclisma.

Pérola Clínica

Obstrução intestinal aguda → descompressão (SNG), hidratação venosa, correção eletrolítica e monitorização são prioridades iniciais.

Resumo-Chave

Em um quadro de obstrução intestinal aguda, especialmente com sinais de desidratação, taquicardia e distensão abdominal, as condutas iniciais visam estabilizar o paciente e descomprimir o trato gastrointestinal. Isso inclui a passagem de sonda nasogástrica para descompressão, hidratação venosa agressiva e correção de distúrbios eletrolíticos, antes de prosseguir com exames de imagem ou cirurgia.

Contexto Educacional

A obstrução intestinal aguda é uma emergência cirúrgica comum, com as bridas aderenciais pós-operatórias sendo a causa mais frequente em pacientes com cirurgia abdominal prévia, como a apendicectomia descrita no caso. O quadro clínico típico inclui dor abdominal em cólica, distensão abdominal, vômitos e parada de eliminação de flatos e fezes. Sinais de desidratação e taquicardia são comuns devido à perda de líquidos. A fisiopatologia envolve a interrupção do trânsito intestinal, levando ao acúmulo de líquidos e gases a montante da obstrução. Isso causa distensão, aumento da pressão intraluminal, comprometimento da absorção e aumento da secreção, resultando em desidratação e distúrbios eletrolíticos (como hipocalemia). A leucocitose pode indicar inflamação ou isquemia. O manejo inicial no pronto-socorro é focado na estabilização do paciente. Isso inclui a passagem de sonda nasogástrica para descompressão gástrica e intestinal, aliviando os sintomas e prevenindo aspiração; hidratação venosa agressiva com cristaloides para corrigir a desidratação e os distúrbios eletrolíticos; e monitorização rigorosa dos sinais vitais e da diurese. A coleta de novos exames, incluindo gasometria arterial, é essencial para avaliar o estado acidobásico e eletrolítico, guiando a reposição. Somente após a estabilização inicial, exames de imagem mais complexos ou a indicação cirúrgica devem ser considerados.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos de obstrução intestinal aguda?

Os sintomas incluem dor abdominal em cólica, distensão abdominal, vômitos (inicialmente biliosos, depois fecaloides) e parada de eliminação de flatos e fezes.

Qual a importância da sonda nasogástrica no manejo inicial da obstrução intestinal?

A sonda nasogástrica é crucial para a descompressão do trato gastrointestinal, aliviando a distensão, náuseas e vômitos, e prevenindo a aspiração pulmonar.

Por que a hidratação venosa é uma prioridade na obstrução intestinal?

Pacientes com obstrução intestinal frequentemente apresentam desidratação significativa devido a vômitos e sequestro de líquidos para o lúmen intestinal, exigindo reposição volêmica agressiva com cristaloides.

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