Obstrução Intestinal: Exames de Imagem Essenciais e Limitações

Santa Casa de Araçatuba (SP) — Prova 2021

Enunciado

Mulher de 75 anos, acamada por sequela de AVC, vem ao PS com história de parada de eliminação de gases e fezes há 7 dias associada a vômitos. Nega febre. Ao exame apresenta-se em REG, desidratada +++/IV, descorada +/IV, afebril, anictérica, AR – murmúrio vesicular presente e diminuídos em bases, sem ruídos adventícios, ACV – bulhas rítmicas normofonéticas em 2 tempos, sem sopros, ABD - globoso, timpânico, tenso e doloroso à palpação difusamente, RHA diminuídos, EXT – bem perfundidas, edema de MMII ++/IV. Em relação a exames de imagem para avaliação diagnóstica, todos os seguintes seriam úteis, exceto

Alternativas

  1. A) Radiografia de abdome agudo.
  2. B) Tomografia computadorizada de abdome sem contraste.
  3. C) Tomografia computadorizada de abdome com contraste.
  4. D) US de abdome total.

Pérola Clínica

Obstrução intestinal: TC de abdome (com/sem contraste) e RX de abdome agudo são essenciais; USG tem papel limitado.

Resumo-Chave

Em casos de obstrução intestinal, a radiografia simples de abdome agudo e a tomografia computadorizada (com ou sem contraste) são os exames de imagem mais úteis para confirmar o diagnóstico, identificar a causa e a localização da obstrução. A ultrassonografia de abdome total, embora útil para outras condições abdominais, tem baixa sensibilidade para avaliar obstrução intestinal, especialmente em pacientes com distensão gasosa significativa.

Contexto Educacional

A obstrução intestinal é uma condição comum em pacientes idosos, especialmente aqueles com comorbidades e acamados, e representa uma emergência cirúrgica. A apresentação clínica típica inclui dor abdominal, vômitos, distensão abdominal e parada de eliminação de gases e fezes. O diagnóstico rápido e preciso é crucial para evitar complicações graves como isquemia e perfuração intestinal. No contexto de abdome agudo obstrutivo, a avaliação por imagem é fundamental. A radiografia simples de abdome agudo (em pelo menos duas posições, geralmente em pé e decúbito) é o exame inicial, podendo evidenciar alças dilatadas e níveis hidroaéreos. A tomografia computadorizada (TC) de abdome, com ou sem contraste, é o padrão-ouro para confirmar a obstrução, determinar sua causa (ex: bridas, tumores, volvo, fecaloma), localização e identificar sinais de complicações como isquemia ou perfuração. Por outro lado, a ultrassonografia (USG) de abdome total tem um papel limitado na avaliação de obstrução intestinal. Embora possa detectar líquido livre ou alças dilatadas, a presença de gás intestinal excessivo (timpanismo) dificulta a visualização adequada das estruturas, reduzindo sua sensibilidade e especificidade para essa condição. A USG é mais útil para outras patologias abdominais, como colecistite, apendicite ou patologias renais e ginecológicas.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados clássicos de obstrução intestinal na radiografia de abdome agudo?

Os achados clássicos incluem alças intestinais dilatadas com níveis hidroaéreos, empilhamento de moedas (válvulas coniventes) no intestino delgado e ausência de gás no reto ou sigmoide distal.

Qual a vantagem da tomografia computadorizada na avaliação de obstrução intestinal?

A TC oferece alta sensibilidade e especificidade, permitindo identificar a localização exata da obstrução, a causa (tumor, brida, volvo), a presença de complicações (isquemia, perfuração) e avaliar o mesentério.

Em que situações a ultrassonografia de abdome pode ser útil em um quadro de abdome agudo?

A USG é útil para avaliar condições como colecistite aguda, apendicite (especialmente em crianças e gestantes), ascite, patologias ginecológicas e urológicas, mas é menos eficaz para obstrução intestinal devido à interferência do gás.

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